Veracel e Suzano divulgam resultado da campanha de monitoramento integrado

O estudo feito em 26 áreas, incluindo locais considerados como de áreas de alto valor de conservação das empresas no Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia, registrou 313 espécies animais e 473 espécies vegetais

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O raro gambá de orelha preta foi uma das 313 espécies animais registradas pelo monitoramento realizado pela Suzano e a Veracel. Foto: Divulgação/Suzano

A primeira etapa de monitoramento integrado de biodiversidade territorial em quase 900 mil hectares, sob a gestão da Suzano e Veracel, trouxe resultados animadores para os pesquisadores. Foram registrados 313 espécies animais e 473 espécies vegetais, somente nesta primeira amostragem. Um achado chamou a atenção dos biólogos: a ocorrência de uma espécie vegetal ainda não conhecida pela Ciência está em processo de descrição. A espécie foi registrada em uma das áreas monitoradas em Minas Gerais, em 2019.

Realizada entre os meses de agosto e dezembro do ano passado, a amostragem compreendeu várias Áreas de Alto Valor de Conservação (AAVCs) da Suzano e da Veracel espalhadas pela Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais. O foco é em três grupos: flora, aves e mamíferos de médio e grande porte. No grupo de aves, os pesquisadores registraram 284 espécies, o que evidenciou mais ainda a dimensão de riqueza do ambiente e confirmação do potencial regional para a prática do turismo sustentável, conhecida como observação de aves, ou, em inglês, “birdwatching”.

Para o monitoramento, a equipe de 24 pesquisadores da Casa da Floresta, consultoria responsável, utilizou binóculos, armadilhas fotográficas (câmeras trap) e softwares para análise dos dados. A pesquisa envolve a realização de duas campanhas ao ano em cada uma das áreas: uma no período chuvoso e outro na seca. Este ciclo tem previsão de término em 2021, quando as áreas deverão ser avaliadas conjuntamente e planejadas ações de conservação da biodiversidade em escala regional.

Foram monitoradas áreas em 51 municípios nos três estados, sendo encontradas espécies ameaçadas de extinção: 43 de vegetais, 11 de mamíferos de médio e grande porte, 31 de aves. Houve o registro de espécie nova de planta do gênero Tocoyena Rubiacea, em Minas Gerais. Existe alta concentração de peroba-amarela e presença de ambientes raros em ótimo estado de conservação, dado o grau de degradação regional, como muçunungas campestres, florestas de muçunungas, florestas de tabuleiro e formações rupestres.

Em relação às aves, foram detectadas as presenças do bacurau-da-caatinga (criticamente ameaçado de extinção no Espírito Santo), formigueiro-de-cauda-ruiva (uma das áreas pode abrigar as últimas populações da espécie no sul da Bahia), formigueiro-da-serra e papagaio-do-peito-roxo (espécies exclusivas de áreas com florestas estacionais – matas mais secas, que perdem parte das folhas no período com menor quantidade de chuvas no ano, que abriga a maioria da população existente de mutum-de-bico-vermelho).

Na parte de mamíferos, foi encontrados uma onça-pintada em região não esperada, onde era considerada localmente extinta. A região abriga redutos de espécies ameaçadas, como crejoá, jacu-estalo, urutau-de-asa-branca, pica-pau-amarelo, papagaio-do-peito-roxo, anta, bugio-marrom, macaco-prego-do-peito-amarelo e mico-leão-da-cara-dourada.

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