Um gigante de 200 anos que resiste solitário na paisagem da BR-101

A Concessionária Eco101 prometeu que a árvore será mantida com a duplicação da rodovia sendo feita no outro lado

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O majestoso jequitibá-rosa sobrevive imponente na BR-101. Foto: Divulgação

Mais de 200 anos de idade, uns 30 metros de altura (equivalente a um prédio de 10 andares) e o último remanescente da outrora exuberante mata atlântica em Linhares, o jequitibá-rosa que fica próximo ao acostamento da margem direita da rodovia BR-101, no sentido da Bahia, no quilômetro 134, testemunhou a emancipação do município e se tornou um marco da cidade. A Concessionária Eco101 prometeu que a árvore será mantida com a duplicação da rodovia sendo feita no outro lado.

O gigante da mata atlântica é o único sobrevivente da indiscriminada derrubada de florestas nativas realizada até o final dos anos 60, porque era de porte pequeno na época. O jornalista Danilo Salvadeo, editor da FOLHA DO LITORAL, que se mudou de Colatina para Linhares em 1959, com 10 anos de idade, e viveu na cidade até 2001, revela que conheceu a árvore desde aquela época e viu de perto o seu lento crescimento, nas constantes viagens que fez ao longo dos anos para a Bahia e as praias do Norte do Espírito Santo, e nos 12 anos em que foi repórter de A Gazeta e A Tribuna no município.

O jequitibá-rosa em dois momentos: década de 60 e hoje. Fotos: Divulgação

“Na década de 60 o jequitibá-rosa convivia ao lado de muitas espécies de árvores nativas, gigantes, como jacarandá, peroba e outros irmãos. Linhares tinha muitas serrarias e entre seus habitantes estava Rainor Grecco, o madeireiro que dizimou as florestas do Norte do Espírito Santo e Sul da Bahia, contratado por fazendeiros de gado e donos de serrarias que queriam mais áreas de pastagens e matéria prima. Foi um crime sem precedente contra o meio ambiente, pois você viajava por uma BR-101 não pavimentada, de Linhares à Bahia, cercado por densas florestas. E além do jequitibá, sobraram árvores nas áreas de preservação da Floresta Rio Doce e reservas de Goitacazes e Sooretama. No verão, não me lembro de altas temperaturas em Linhares, pois a cidade era cercada de um vasto cinturão verde. Infelizmente, não existiam leis ambientais naqueles anos!”.

Poupado durante as obras de asfaltamento da BR-101 em 1970, o bicentenário jequitibá-rosa permanece imponente na paisagem de Linhares, até hoje, e não passa despercebido por quem trafega por ali. Moradores antigos relataram ao jornalista, na época, que era comum pessoas retirarem a casca da árvore, acreditando que ela tinha poderes medicinais. No início da década de 90 o DNIT fez uma proteção metálica para evitar esta prática, e o majestoso jequitibá resiste, solitário e imponente, ao desenvolvimento econômico do município que mais cresce no Estado.

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