Um ET já foi linchado em Aracruz

O “ser de outro mundo” não passava de um brinquedo que 'cresce na água'. A brincadeira, entretanto, provocou medo e transtornos no municipio. A Polícia Militar recebeu mais de 50 ligações

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À esquerda modelo do boneco "Alien" vendido por R$ 5,00, na época, em camelôs e lojas. À direita, o policial militar Carlos Augusto Belloti. Ele contou a um site de Vitória que teve gente ligando para o 5° Batalhão perguntando se o carro do Google Street View tinha alguma coisa relacionada com o episódio do ET de Aracruz. Fotos: Divulgação

Há 15 anos a FOLHA DO LITORAL publicou uma reportagem que foi replicada no arquivo UFO. Assim como no caso do ET de Varginha, ocorrido na cidade mineira, os moradores de Aracruz também acreditaram que um ser extraterrestre apareceu na cidade. Não deu outra: a população linchou o ET a pauladas. E anos depois até o carro do Google Street View foi confundido com “invasão alien”, por causa da parafernália de antenas, câmeras de vídeo e luzes que ostentava.

Mas foi no dia 15 de março de 2005 que moradores do bairro Limão alarmaram a cidade com a notícia da aparição de um extraterrestre, mas tudo não passou de brincadeira de mau gosto. Os moradores falaram que viram uma bola de fogo no céu e que encontraram um ser que supostamente seria um extraterrestre. Eles até levaram os “restos mortais” do “ser de outro mundo” para o Hospital São Camilo, para que fosse submetido a exames.

Na época, mais de 50 pessoas ligaram para a Polícia Militar preocupadas com uma suposta invasão alienígena, graças a um boato sobre uma criatura extraterrestre que teria sido avistada na cidade após sair de uma bola de fogo. O tal alienígena (ou o que restou dele após o linchamento) chegou a ser encontrado e foi levado para o Hospital São Camilo.

Lá, um médico propôs que todo o material fosse encaminhado para o laboratório da UFES, onde poderia ser analisado com mais precisão. Mas, por meio de uma observação microscópica, os demais médicos avaliaram que o ser, na verdade, era um boneco feito com material esponjoso de borracha com restos de coliformes fecais.

A reportagem da FOLHA DO LITORAL comprovou na época que, na Pastelaria Califórnia, em Ibiraçu, era possível adquirir um boneco igual ao suposto extraterrestre encontrado pelos moradores. Originalmente, o boneco tinha 10 cm de altura, mas se mergulhado em água, chegava a 20 cm, ficando exatamente igual ao encontrado na casa do morador do bairro Limão.

Invasão alienígena abafada pela CIA
O então tenente do 5º BPM, Fabrício Segatto Auer, esteve no local e acompanhou toda a movimentação dos populares. Segundo o oficial, ao chegar a uma residência, um morador teria mostrado a ele um pote de vidro contendo um pequeno braço e uma mão deformada. Em seguida, o policial se deslocou até um bairro vizinho e encontrou o corpo do suposto ET enrolado em um saco de papel, com outro morador.

Valcir da Silva, o morador, afirmou se tratar da cabeça de um extraterrestre. Apesar de ser apenas uma brincadeira, a movimentação foi tão grande que o 5º BPM recebeu mais de 50 ligações telefônicas de pessoas preocupadas com a possível invasão alienígena no município.

A Polícia Militar informou, no entanto, que nenhuma ocorrência foi registrada porque, quando os militares chegaram ao local, perceberam se tratar de uma brincadeira. Apesar de comprovada a brincadeira, muitas pessoas choravam e diziam que viram um extraterrestre em seu quintal. O caso tomou uma proporção tão grande na imprensa estadual que os policiais não conseguiram identificar o autor da brincadeira.

Muitas pessoas, porém, julgaram a história como abafamento do caso, acreditando que o extraterrestre verdadeiro teria sido removido pelo Serviço Secreto Americano (CIA), que o substituiu por um boneco barato e que as testemunhas foram ameaçadas para ficar em silêncio.

Carro do Google Maps confundido com “invasão alien”
Aracruz foi também palco de uma notícia curiosa, alguns anos depois da “aparição do ET”. Moradores, assustados com a presença de um “carro estranho” circulando pelas ruas do centro, chamaram a polícia para verificar do que se tratava, mas, quando os policiais encontraram o veículo, perceberam que era apenas o carro do Google Maps, que há quatro meses vinha fotografando cidades do Espírito Santo para o serviço “Street View”.

“Os boatos sobre o carro, que tem um conjunto de câmeras e outros equipamentos sobre o teto, se espalharam rapidamente e ganharam contornos além das nossas fronteiras. Teve gente ligando para o Batalhão perguntando se o carro tinha alguma coisa relacionada com o episódio do ET de Aracruz”, disse na ocasião o policial militar Carlos Augusto Belloti.

“ET de Aracruz” tinha três dedinhos, como um sapo
O corpo verde, nojento e viscoso não passava de um brinquedo. De madrugada, médicos tiveram que interromper o plantão no Hospital São Camilo. “Não parecia tecido animal, pelo menos dentro dos padrões aqui da Terra”, chegou a comentar o clínico geral José Adalberto de Oliveira, sugerindo que o corpo fosse encaminhado para um exame mais detalhado no Laboratório da UFES.

A história do ET que abalou os bairros Limão e Vila Nova começou quando a dona de casa Adriana Silva Francisco afirmou ter visto descendo do céu “uma bola de fogo meio alaranjada”. Ela chegou a garantir ter encontrado o corpo estranho em seu quintal: “ele tinha três dedinhos como os de um sapo e o corpo tipo um ET”.

Com a notícia se espalhando rapidamente, vizinhos da mulher ficaram assustados e não demorou para que alguns moradores dos dois bairros interpretassem o aparecimento do extraterrestre como um sinal do fim dos tempos ou mesmo uma artimanha do diabo. Aí caíram de pau e atacaram e destruíram completamente o que seria o ser de outro planeta.

O ET de Aracruz, na verdade, não passava de um boneco vendido por R$ 5 em camelôs e lojas, apelidado de Alien, com 10 centímetros de comprimento, mas que, ao ser colocado na água por um período de 72 horas, crescia 60 vezes mais. O slogan comercial do fabricante do boneco – “mostre aos seus amigos. Eles ficarão espantados” – foi levado ao pé da letra pelos moradores de Aracruz.

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