“Tripinha” é patrimônio imaterial do Espírito Santo

A Lei 11.382/2021, oriunda do Projeto de Lei 337/2021, do deputado Luiz Durão, também define o dia 18 de janeiro como o Dia Estadual da Tripinha

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Tripinha, iguaria que surgiu na década de 60 em Linhares e conquistou o paladar dos capixabas. Foto: Divulgação

Por Silvia Magna

A “tripinha”, petisco típico do Norte capixaba, é considerado patrimônio cultural imaterial do Espírito Santo. É o que determina a Lei 11.382/2021, oriunda do Projeto de Lei 337/2021, do deputado Luiz Durão. Publicada ontem 09 no Diário do Poder Legislativo, a norma também define o dia 18 de janeiro como o Dia Estadual da Tripinha, iguaria que surgiu na década de 60 em Linhares e conquistou o paladar dos capixabas.

Hoje em dia, ela é vendida no comércio, gerando emprego e renda para inúmeras famílias. A “tripinha” foi criada durante os preparativos de um casamento na região, quando a cozinheira Anita Paiva Rabello, a popular Dona Anita, percebeu que não havia recheio suficiente para preparar mais quitutes e atender ao crescente número de convidados da festa. Ela, então, cortou a massa em uma máquina de fabricar macarrão, salpicou queijo parmesão e jogou as tiras em uma panela com banha de porco quente.

Registros contam que, ao ser questionada pela dona da festa sobre o que fazer, ela foi logo avisando: “Vou criar um salgado que é a última moda em Paris”. Criativa e bem-humorada, Dona Anita era uma quituteira experiente e renomada na região. Analfabeta, ela registrava suas receitas desenhando números e ingredientes. Seus cadernos de receita tinham, nas páginas, desenhos de abacaxis, ovos, colheres, cocos e tudo o que era necessário para produzir os banquetes.

A receita da “tripinha”, que até os anos 80 era vendida em latas antigas de óleo de soja, de 20 litros, leva trigo, açúcar, banha, leite e água, além de óleo para fritar. Há quem adicione queijo parmesão à massa. De acordo com Luiz Durão, autor da lei, escritores e jornalistas locais documentaram a “tripinha” em livros e portais de notícias do Norte capixaba. Além disso, a Prefeitura de Linhares instituiu, no calendário oficial de eventos históricos e culturais da cidade, o dia 18 de janeiro como a data em que Dona Anita criou o salgado. A fonte é o site “Tudo Gostoso”, e a receita foi enviada por Admair Oliveira Alves.

RECEITA DA “TRIPINHA”

INGREDIENTES
1 kg de farinha de trigo, mais ou menos
1 colher de sopa de açúcar
1 colher de sopa de banha
1 copo americano de leite
1/2 copo americano de água
Óleo para fritar

COMO FAZER
Junte todos os ingredientes e trabalhe bem a massa. Deixe descansando da manhã à tarde. Espiche a massa com rolo ou cilindro. Deixe fina mas não muito. Enrole e corte em tirinhas de 0,5 cm separando para não grudar. Frite em bastante óleo bem quente (em ponto de fritura).

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