Suzano renova licença, mas não confirma projeto de bio-óleo em Aracruz

Qualquer decisão sobre o tema será analisada oportunamente pela companhia, que mantém como prioridade neste momento sua desalavancagem financeira

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Projeção da fábrica de bio-óleo que pode vir a ser implantada em Aracruz. Foto: Divulgação

Na última semana, a Suzano requereu do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) a manutenção da Licença Prévia (LP) para a produção de bio-óleo a partir de biomassa em Aracruz, tendo em vista que o documento, obtido em fevereiro de 2017, tem validade de quatro anos e está prestes a vencer.

Trata-se de um processo usual de renovação com o objetivo de manter a opcionalidade de investimento futuro e, portanto, não deve ser considerado uma indicação de que o projeto será iniciado no curto prazo.

Qualquer decisão sobre o tema será analisada oportunamente pela companhia, que mantém como prioridade neste momento sua desalavancagem financeira, de acordo com o estabelecido em sua política de endividamento.

Em março deste ano a FOLHA DO LITORAL publicou que a impossibilidade ambiental de plantio de novas florestas de eucalipto no entorno da fábrica de celulose inviabilizava a construção da fábrica de bio-óleo, segundo informação de uma fonte confiável da empresa, relatada aos jornalistas presentes à reunião de apresentação dos novos diretores, antes do Carnaval.

O questionamento foi feito pela reportagem, porque a Suzano é detentora exclusiva do processo de fabricação de bio-óleo no Brasil. Cerca de 70% da madeira usada no processo de fabricação da celulose poderá ser aproveitada na produção de bio-óleo. O que isso significa? Com a mesma madeira usada para fazer 100 mil toneladas de celulose, a Suzano consegue produzir cerca de 30 milhões de galões de 3,78 litros de bio-óleo/ano.

Portos

A Suzano opera em mais de 60 portos ao redor do mundo e 90% de sua produção de 5,3 milhões de toneladas de celulose é vendida para o exterior. Outro ponto fundamental no processo de fabricação do bio-óleo é a produtividade de seus 568 mil hectares de eucaliptos.

Enquanto na Europa o ciclo do eucalipto é de 40 anos, por aqui é de seis anos. Na década de 70 eram extraídas seis toneladas de madeira por hectare e atualmente, devido aos vultosos investimentos em melhoramento genético, já se consegue 10,9 toneladas por hectare.

Fibria iniciou o processo

O bio-óleo pode ser usado no aquecimento de caldeiras industriais e no processamento de petróleo para produzir gasolina e diesel. A então Fibria, hoje Suzano, tem 38 projetos em andamento e o mais importante era o do bio-óleo. Em 2012, a indústria pagou US$ 20 milhões para se tornar sócia da Ensyn, empresa americana que detém a tecnologia para a fabricação de bio-óleo.

Em 2014, a Fibria fez um aporte de US$ 10 milhões e, no ano seguinte, colocou mais US$ 5 milhões na operação. Isso fez com que ela se tornasse dona de 12,6% da Ensyn, que tem entre seus sócios a petrolífera Chevron e o Banco Credit Suisse. O investimento previsto era de R$ 500 milhões, com previsão de gerar de 500 a mil empregos e a planta industrial construída em dois anos.

A empresa utilizaria cascas e resíduos de madeira de celulose produzidos na própria fábrica de Aracruz. O bio-óleo, também conhecido como biopetróleo, pode ser usado como aquecimento doméstico, fertilizantes orgânicos, aditivos e combustíveis.

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