Sinais de esperança: Nasce um movimento de união para salvar o manguezal do Piraquê-Açu

Cerca de 29% da área total de florestas de manguezal nessa região foi devastada

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Foto: Humberto De Marchi/Secom PMA

Por Luã Quintão

Em junho de 2016 os manguezais dos estuários dos rios Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim, em Santa Cruz, foram atingidos por uma forte tempestade de granizo, com rajadas de vento de mais de 100 quilômetros por hora, ocasionando a morte de aproximadamente 500 hectares. Cerca de 29% da área total de florestas de manguezal nessa região foi devastada.

A tragédia ocorreu no auge de uma das maiores secas da história do Espírito Santo. A bacia hidrográfica, já vulnerável pelo baixo volume de água doce que chegava ao estuário em função da anormalidade climática, causando elevada salinidade, sofreu ainda mais com a tempestade, o que provocou a mortalidade dessas extensas áreas de mangue nos estuários mais importantes de Aracruz. A tragédia impactou um sistema ecológico importante, pois o mangue funciona como berçário de inúmeras espécies marinhas e costeiras.

Sete anos depois, o cenário em boa parte dessa região de manguezal continua mórbido. É uma paisagem cinzenta, falta o verde e a vida abundante, elementos originários desses ecossistemas. A recuperação dessa faixa do manguezal é um trabalho difícil e complexo. O mangue vermelho, árvore que é símbolo dos estuários, é uma planta imponente, embora delicada. Ela não rebrota, como outras espécies, e por isso o trabalho de plantio deverá ser manual.

Equipes da secretaria Municipal de Meio Ambiente, pesquisadores da Ufes e a população local estão engajadas para desenvolver o trabalho de regeneração. Foram anos de estudos e conversas. Em março deste ano, a equipe técnica da secretaria e o prefeito de Aracruz, Dr. Coutinho, visitaram o local, acompanhados dos alunos de doutorado da Ufes de São Mateus, técnicos do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro) – empresa que representa a Suzano, e moradores das comunidades de Baiacu, Boa Vista, Pirassununga e Santa Rosa.

Equipes da secretaria Municipal de Meio Ambiente, pesquisadores da Ufes e população local fizeram uma visita ao manguezal e planejam juntos o trabalho de regeneração do mangue destruído em 2016 depois de uma severa tempestade. Foto: Humberto De Marchi/Secom PMA

O encontro ocorreu na região da comunidade de Pirassununga, que solicitou a recuperação do mangue. Neste dia, foram traçadas algumas estratégias para recuperação do ecossistema, como o plantio e coleta de propágulos, que são as estruturas reprodutivas da planta que forma o manguezal.

“Esse trabalho é importante para termos um ecossistema sadio e equilibrado. A colaboração dos catadores é muito valiosa para o sucesso do projeto, afinal, eles são os guardiões do manguezal, que além de ser um gerador da renda para a comunidade do entorno, é berçário da vida marinha”, destacou Rhayrane Pedroni, subsecretária municipal de Meio Ambiente.

O trabalho será executado dentro do programa Piraquê Vivo, que além da recuperação da área de manguezal, também pretende desenvolver o manejo sustentável do ecossistema e a melhoria da qualidade de vida das comunidades tradicionais, constituídas por mulheres e homens pescadores, catadores e marisqueiros, e ainda os povos indígenas que têm o rio e o manguezal como meio de existência.

A mão de obra contratada será a própria comunidade. O povo local ficará na base desse processo que busca reviver o manguezal, em conjunto com as equipes técnicas e estudiosos que coordenam o programa. A ideia é que as ações de coleta, cultivo e o plantio das plântulas sejam desenvolvidas em união entre essas frentes que almejam o equilíbrio ecológico na região do Piraquê-Açu.

“Nossa base documental para a execução do programa Piraquê Vivo é pautada na participação efetiva de todos esses agentes, desde os pesquisadores, até àqueles que tiram do manguezal o sustento da família. Essa integração é fundamental para alcançarmos a nossa meta de regeneração. Os manguezais desses rios são riquezas do município e por isso devem ser preservados e cuidados. Acredito no poder transformador dessa união e que vamos colher bons frutos no futuro”, enfatizou o secretário municipal de Meio Ambiente, Aladim Cerqueira.

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