Saúde usa respiradores em ambiente sem UTI em Aracruz

A secretaria municipal de Saúde de Aracruz destinou seis dos 10 respiradores doados pela Suzano ao governo estadual, para o PA de Barra do Riacho, onde não há UTIs

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Normalmente, os respiradores estão disponíveis apenas em leitos de UTIs. Foto: Divulgação

A secretaria municipal de Saúde de Aracruz destinou seis dos 10 respiradores doados pela Suzano ao governo estadual, para o pronto-atendimento (PA) de Barra do Riacho. Os equipamentos, no entanto, são destinados para ajudar no tratamento de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) por conta da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Segundo o presidente da Câmara, vereador Paulo Flávio Machado, “a secretária Clenir Avanza colocou algumas camas hospitalares em uma sala de reunião da Unidade de Saúde de Barra do Riacho, dizendo que é UTI”. Os equipamentos, no total de 30, foram importados da China pela Suzano e atenderão as redes de saúde do Estado.

O leitor Paulo Gustavo dos Santos enviou e-mail à reportagem, denunciando o uso indevido dos respiradores, entendendo que “UTI é ambiente de hospital e o município não possui hospital próprio, e ao que parece, a secretária Clenir quer utilizar os respiradores em ambientes impróprios, criando UTIs em postos de saúde, o que não é recomendado por nenhum organismo de saúde do mundo”.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) informa que o aparelho é essencial para tratar casos graves e muito graves da doença e é utilizado quando o pulmão do paciente está muito comprometido e ele não consegue respirar por conta própria. Normalmente, esses equipamentos estão disponíveis apenas em leitos de UTIs.

Segundo a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG), “mais crítico estágio da Covid-19 num paciente, a síndrome respiratória aguda grave tem indicação de entubação e utilização de ventilação mecânica imediatas nos hospitais”.

Já para Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, “muitos ventiladores fornecem, como diferencial, novas modalidades ventilatórias. Em geral, esses modos provêm da associação dos modos básicos e apresentam tanto pontos positivos como negativos. Ao mesmo tempo em que permitem um controle mais fino sobre a ventilação, aumentando a segurança e a sincronia, reduzindo a necessidade de mudanças freqüentes nos parâmetros do ventilador por parte da equipe, também podem ser pouco ou mal utilizados, conforme a experiência da equipe e as características dos pacientes da UTI. Mais uma vez, a avaliação criteriosa das reais necessidades na UTI é fundamental para esta decisão”.

O OUTRO LADO: Prefeitura de Aracruz diz que UPAs adaptadas podem ter UTI

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