Projeto Tamar e Prefeitura de Linhares matam árvores em Pontal do Ipiranga

Um morador enviou fotos para a redação da FOLHA DO LITORAL denunciando o sacrifício de quatro árvores dentro da base do Tamar e mais três fora

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Uma das sete árvores na área do Projeto Tamar que estão sendo mortas. Foto: Leitor

Sob protestos dos moradores, sete árvores de jamelão estão sendo mortas na base do Projeto Tamar em Pontal do Ipiranga, na orla de Linhares, sob a alegação de que são espécies invasoras. Sob a mesma ótica, em parceria com a prefeitura, serão derrubadas, em grande escala, as árvores de acácia que servem de sombreamento no balneário.

Um morador enviou fotos para a redação da FOLHA DO LITORAL denunciando o sacrifício de quatro árvores dentro da base do Tamar e mais três fora, que tiveram a casca cortada no meio do tronco para que morram, pois deixam de receber a seiva. Outro morador, quando soube que a espécie é invasora, reclamou que se não são nativas, então porque plantaram? Outro disse que o corte das árvores prejudica a cadeia alimentar, pois espécies de aves, como os periquitos, comem a fruta (jamelão) verde.

O executor do Tamar em Pontal do Ipiranga, Jardel Bérgamo, disse à reportagem, por celular, que o jamelão é uma árvore invasora e sem predadores e, assim como as acácias, destoam do bioma local, formado por árvores frutíferas. E confirmou que em parceria com a secretaria municipal de Meio Ambiente, haverá grande derrubada de acácias no balneário, principalmente as existentes na área de preservação permanente.

Segundo ele, com a pandemia não houve como se fazer palestras com os moradores, mas o Tamar está iniciando a construção de um viveiro de mudas de árvores frutíferas para distribuição gratuita. Apesar de contatado por e-mail (semam@linhares.es.gov.br), o secretário municipal de Meio Ambiente, Fabricio Borghi Folli, nãos e manifestou.

Importância das árvores
A arborização em vias públicas é um recurso importante não só para a estética da cidade, mas também para oferecer melhor qualidade de vida aos moradores. Por isso, é importante destacar que o corte e a depredação de árvores sem autorização do poder público são considerados crimes ambientais previstos pela Lei 9.605/98 e pelo Código Penal, respectivamente.

A presença de árvores em vias públicas diminui significativamente as ilhas de calor e a absorção de carbono emitido pelos veículos. Além disso, árvores são fundamentais para a ornamentação de ruas e avenidas e permitem o aumento da umidade do ar e contribuem para a sensação de conforto térmico. São, portanto, de extrema importância para o crescimento saudável de uma cidade.

De acordo com o artigo 49 da Lei 9.605/98, é considerado crime ambiental “destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia”.

O valor do jamelão
No Paraná, a Promotoria de Justiça do distrito de Bela Vista do Paraíso apresentou ação civil pública por danos causados ao meio ambiente contra o Instituto Ambiental do Paraná, a prefeitura de Alvorada do Sul, município que integra a Comarca, e um agricultor, pelo corte indiscriminado de centenas de árvores.

Conforme relata o Ministério Público na ação, essas árvores estavam plantadas numa área de cerca de 1.800 metros às margens na rodovia PR-090, há pelo menos 40 anos. O promotor de Justiça Carlito Antônio Rupp, na ação, relata que as árvores cortadas eram da espécie ‘Eugenia Jambolana Lam’, popularmente conhecida como “jambolão”, “jamelão” ou “jambeiro”, que, apesar de originária da Índia, ou seja, espécie exótica, tem valor atestado por autoridades ambientais brasileiras por não ser nociva à fauna ou à flora nativas, conforme atesta análise do IBAMA anexada ao processo:

Segundo ele, o jamelão possui um valor ecológico e social muito grande, pois além de produzir frutos para a fauna, fazer sombra e agir como purificador do ar, é também excelente remédio para o controle da diabetes, conforme matéria da Universidade de São Paulo (USP).

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