Produtor de Linhares fabrica cachaça com sobras de cacau

A bebida tem 40% de teor alcóolico e custa, em média, R$ 190,00

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A CACAHUATL é a primeira aguardente do Brasil feita a partir das partes descartadas do cacau. A bebida tem 40% de teor alcóolico e custa, em média, R$ 190,00, podendo ser adquirida nas lojas do Supermercados Oriundi em Linhares e Aracruz, ou no site www.velhocarvalho.net.br. Foto: Divulgação

Natural de Vitória, André Scampini há algum tempo nutria certa paixão pela fabricação de destilados. O então profissional de TI viu na produção de cacau de seu sogro uma grande oportunidade de empreendedorismo: uma aguardente, a CACAHUATL, feita a partir das sobras do cacau produzido na fazenda de Linhares.

O município é responsável por 85% da produção de cacau do Estado. No entanto, apenas parte do fruto é aproveitada para a produção da matéria prima do chocolate: a amêndoa. Foi nesse cenário que André percebeu uma maneira de unir empreendedorismo e sustentabilidade. Movido pela paixão por destilados, dedicou-se a estudos, pesquisas e experimentos de destilação até chegar na receita final.

A cachaça é produzida na destilaria Velho Carvalho, em Linhares, que produz cachaças de alta qualidade, em instalações de primeiríssima linha, entre elas a RUMBA CACAO, aguardente com aroma e sabor frutados e ligeiramente adocicados, porém com característica mais alcoólica, e a VELHO CARVALHO, em parceria com o alambique Princesa Isabel, no distrito de Desengano, em Linhares.

“Os produtores de cacau tinham uma demanda por um melhor aproveitamento do fruto, do qual somente a amêndoa era utilizada na produção do chocolate. Foi quando resolvi aproveitar meus conhecimentos na fabricação de destilados e fazer algumas experiências que resultassem em um produto de qualidade e, ao mesmo tempo, visasse a sustentabilidade”, explica André.

A aguardente de cacau, batizada de Cacahuatl (suco amargo, em Asteca), teve amostras enviadas para os EUA, Portugal, Bélgica, Suiça e participou como convidada de três feiras na Alemanha. Atualmente, sua produção é terceirizada por um alambique em Linhares, e está disponível no mercado, inclusive no exterior, de onde já tem pedidos de importação.

Além de ser sustentável e agregar alto valor ao produto final, a produção da aguardente criou novas oportunidades de renda para os trabalhadores rurais da plantação de cacau. “A parte do fruto que antes era dispensada, hoje é vendida pelo trabalhador rural e seus familiares para ser utilizada como matéria prima da aguardente, gerando um ganho na economia local e na sustentabilidade, devido ao melhor aproveitamento do fruto e um menor desperdício. No final, ganham o meio-ambiente e a economia de Linhares”, finaliza.

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