Primeiro índio eleito vereador em Aracruz é o mais votado da história

Vilson Benedito de Oliveira, o Vilson Jaguareté, ex-cacique da aldeia de Caieiras Velha, onde mora, é casado, agricultor e nasceu em Aracruz no dia 10 de abril de 1978 (42 anos).

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Vilson Jaguareté. Foto: Divulgação

Aracruz, único município do Estado com populações indígenas, elegeu vereador o primeiro índio de sua história, e ele foi logo o mais votado até hoje, com 1.325 votos (2,74%), pelo PT. É ele Vilson Benedito de Oliveira, o Vilson Jaguareté, ex-cacique da aldeia de Caieiras Velha, onde mora, é casado, agricultor e nasceu em Aracruz no dia 10 de abril de 1978 (42 anos).

O apelido Jaguareté vem da onça-pintada, o maior felino do mundo, que na lenda guarani, no Paraguai, é chamada de Jaguareté, uma alusão ao parente próximo, o jaguar, que não vive na América do Sul. Mas, com a invasão do Portocel pelos índios, em 12 de dezembro de 2006 – eles foram expulsos pelos sindicalistas comandados pelo então vereador Davi Gomes, que era presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas de Madeira de Aracruz (Sintiema) – a antiga Aracruz Celulose (hoje Suzano), não poupou o então cacique Jaguareté, alegando que esse apelido foi tomado emprestado de uma lenda guarani do Sul do Brasil, relacionada ao surgimento e à utilização da erva-mate, não caracterizando uma cultura tupiniquim.

O tempo passou e Vilson Jaguareté consolidou a sua liderança atuante na luta dos povos tradicionais e foi o primeiro indígena a conquistar uma vaga de vereador. Além de cacique, ele foi chefe da coordenação técnica da Fundação Nacional do Índio (Funai) no município.

Na aldeia tupiniquim de Caieiras Velha, a mais populosa de Aracruz, foi realizado um plebiscito interno no qual Jaguareté foi o mais votado para representar a comunidade. Filiado ao PT desde 2006, ele lançou a candidatura e ficou com a única vaga do partido na Câmara, que possui 17 representantes.

Além de conseguir votação significativa nas aldeias, Vilson também buscou votos em outros setores da sociedade civil, com base na atuação política em apoio a outras lutas do município junto a outros setores populares.

Outras candidaturas indígenas concorreram à Câmara de Aracruz, mas obtiveram votações pequenas: Jobinho da Silveira (PT, 127 votos), Gabriel Pereira (PSL, 87 votos), o mandato coletivo Filhos da Terra Tupiniquim (PCdoB, 81 votos) e Rodrigo Guarani (Rede, 19 votos).

Ervaldo Índio

Foto: Divulgação

O primeiro índio a ser vereador em Aracruz, assumindo como suplente do hoje presidente da Assembleia, deputado Erick Musso, foi Ervaldo Índio (PMN), também Tupiniquim, que exerceu o mandato de 2015 a 2016, mas não conseguiu se reeleger.

Ervaldo ficou em 22º lugar, com 695 votos (1,35% do eleitorado). Em seu mandato de dois anos a saúde nas aldeias foi sua prioridade. Ele foi candidato a vereador pela primeira vez em 2008, mas não foi eleito. Ao tentar novamente em 2012, ficou entre os suplentes e assumiu a vaga Musso, passando a ser, de fato, o primeiro vereador índio de Aracruz.

Na época, a aldeia de Caieiras Velha, de que Ervaldo faz parte, comemorou a notícia de ter um vereador indígena na Câmara. No Censo de 2010, Aracruz registrou 3.040 habitantes autodeclarados indígenas, o que equivale a 3,4% do total, tornando-a uma das cidades com maior concentração de população indígena da região Sudeste.

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