Prefeitura de Aracruz reduz número de médicos nas UPAs

Em decisão que revoltou o setor, a secretária municipal de Saúde reduziu pela metade o número de médicos plantonistas e enfermeiros nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Aracruz. A medida começa a valer na próxima segunda-feira 13

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Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Vila Rica, em Aracruz. Foto: Divulgação/Secom PMA

Em decisão que revoltou o setor, a secretária municipal de Saúde, Clenir Sani Avanza, reduziu pela metade o número de médicos plantonistas e enfermeiros nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Aracruz, principalmente na mais movimentada, no bairro Vila Rica. Os protestos dos profissionais foram grandes nas redes sociais. A medida começa a valer na próxima segunda-feira 13.

A nova escala médica mantém somente os médicos celetistas e poucos plantões por parte dos médicos prestadores de serviços pela empresa RCS. Dentro do grupo de médicos no WhatsUpp, ao qual a reportagem da FOLHA DO LITORAL teve acesso a alguns diálogos, eles demonstram muita preocupação com a própria segurança devido à redução de profissionais, que os coloca em mais risco, pois estarão expostos a mais contatos com as pessoas, e caso cheguem duas pessoas em situação de urgência, com traumatismo ou necessitando ser entubada, um profissional só não dará conta de atender, sendo arriscado para a população e para o médico e enfermeiro que estarão na linha de frente.

Outra profissional de saúde defende a secretária e diz que é pago para cada anestesista o valor de R$ 1,2 mil por plantão, e que a folha de pagamento com esse pessoal chega a R$ 500 mil por mês. Segundo ela, as Upas estão vazias, com redução de trabalho em 70%, atendendo somente casos de infarto, AVC e casos graves, como de coronavírus, e ela não pode manter esse monte de médicos sem trabalho. Se a demanda aumentar, basta acionar a empresa e terá mais plantonistas cedidos. Segundo ela, há oposição a Clenir dentro da prefeitura, com uma corrente pedindo a sua saída.

O áudio de um vereador foi postado no grupo de médicos, sem identificação. Diz ele: “pode até ter caído a demanda em 70%, e então porque não repassam os demais médicos para as UPAs de Jacupemba e Barra do Riacho? Por que não cortam gastos das secretarias de Transportes, de Turismo e outras que não podem trabalhar agora? Se é para dispensar médicos, por que não cortam supersalários de secretários e assessores especiais? O prefeito Jones Cavaglieri contratou nos últimos meses diversos assessores especiais. Tudo indica que querem economizar na saúde para bancar esses salários. Clenir não é a prefeita e existem mais 16 secretários”.

Outra postagem no grupo, em que aparecem dois médicos (os nomes não serão divulgados), um deles questiona: “tantos gestores tendo dificuldade de encontrar profissionais pra trabalhar na linha de frente e a PMA faz uma ca……. dessa”. Clenir responde: “falta de respeito é o senhor usar esses termos para se dirigir à PMA. Falta de respeito é o senhor não perceber que a produção de atendimento das UPAs caiu 70% e, portanto, não precisamos do mesmo volume de plantões. No mínimo se espera dos profissionais comportamento ético em linguagem adequada à função”. O outro diz que “se permanecer da forma que está para mim não dá”, ouvindo da secretária “fique à vontade para se desligar”.

O outro lado
No grupo dos médicos da prefeitura, do qual Clenir Avanza faz parte, ela responde a um médico que diz que “Aracruz vai entrar em decadência, pois sabemos sempre que tem emergência chegando e pessoas que dão entrada infartadas e vítimas de traumas em acidentes, haverá dificuldade no atendimento”. Diz ela: “não. Como suspendemos os atendimentos eletivos, cirurgias eletivas e exames eletivos, não precisaremos neste momento de contratar uma grande quantidade de médicos clínicos. A produção de atendimento das duas UPAs foi reduzida em 70%. Os plantões médicos são contratados pelo consórcio através da empresa RCS e são caros. Para reduzir custos, reduzi o número de plantões contratados de clínicos. É só isso, mas você conhece o corporativismo dos médicos e eles vão perder dinheiro”.

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