Pobres mulheres

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Dia desses li que lá no distante Egito o deputado Elhamy Agina sugeriu que a virgindade das mulheres deveria ser pré-requisito em universidades. Textualmente, disse Sua Excelência que “qualquer rapariga que entre na universidade deveria ser examinada para provar que é donzela”.

A propósito, apesar de não existir nenhum embasamento médico ou científico de que sejam efetivos, os chamados testes de virgindade ainda são feitos em mais de 20 países, segundo a ONU. E que dizer dos estupros? Em Portugal, durante uma dada manifestação, um motorista profissional declarou a jornalistas que “as leis são como as meninas virgens, existem para serem violadas”.

Enquanto isso, no Canadá, um policial afirmou que “as mulheres deveriam deixar de vestir-se como prostitutas a fim de evitar estupros”. No Paquistão foi o próprio mandatário a sustentar que “se uma mulher veste poucas roupas isso terá um impacto nos homens, a menos que sejam robôs. É bom senso”.

Não divergiu um advogado egípcio ao longo de séria entrevista: “Proteger valores morais é mais importante do que proteger fronteiras. Mulheres que usam jeans rasgados procuram ser estupradas”.

No Peru absolveu-se um estuprador sob o argumento de que sua vítima usava roupas íntimas de cor vermelha, o que indicaria intenção de manter relações sexuais. Na Espanha um juiz perguntou a uma vítima de estupro se ela teria tentado fechar as pernas. No Brasil, 65,1% das 3.810 pessoas ouvidas em 212 municípios declararam que mulheres cujas roupas mostram o corpo merecem ser atacadas – “merecem ser atacadas”, realço.

Na Índia, dado proeminente político declarou que “mulheres que tenham sido estupradas deveriam ser enforcadas juntamente com seus estupradores”. Naquele mesmo país um livro escolar comparou mulheres a burros, acrescentando terem estes as vantagens de serem mais fiéis, prestativos e nunca reclamarem.

Na Arábia Saudita um historiador emérito sustentou que algumas mulheres dirigem porque “não se incomodam em serem estupradas pelos acostamentos afora”. No Japão, ninguém menos que o ministro da Saúde se referiu às mulheres como “máquinas de procriar”. Até onde soube Sua Excelência permaneceu no cargo.

Diante deste quadro, tão geral quanto rigorosamente atual, fico a recordar Diderot, segundo quem “a insensibilidade faz monstros”.

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