PESQUISA CIENTÍFICA INDICA: Maior atropelamento de morcegos no mundo ocorre na BR-101, dentro da Rebio de Sooretama

O local concentra a maior diversidade mundial dos mamíferos voadores de hábitos noturnos

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Foto: João Marcos Rosa

Com informações do site Século Diário

Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros e publicado na semana passada na revista científica Diversity, dedicada aos Impactos da Infraestrutura de Transporte na Biodiversidade em Economias Emergentes, constatou que é no trecho de 25 km da rodovia BR-101, dentro da Reserva Biológica de Sooretama, que ocorre a maior mortandade de morcegos por atropelamentos, no mundo.

O local concentra a maior diversidade mundial dos mamíferos voadores de hábitos noturnos. Segundo informou a pesquisadora Helena Godoy Bergallo, do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), “a quantidade de atropelamentos nesse trecho é enorme, e não se conhece nenhum estudo com número tão elevado em morcegos atropelados”.

Os dados do estudo foram coletados de 2010 a 2015, período em que foram mortos 773 morcegos, de 47 espécies diferentes – número que representa 40% das espécies conhecidas na Mata Atlântica e o maior conjunto de espécies mortos em uma rodovia já encontrado em todo o mundo. Os insetívoros (25 espécies) formam a maioria dos atropelados (74%) e aqueles que voavam em áreas abertas foram os mais frequentemente atropelados (41,9%).

Experiente pesquisador da biodiversidade da região e outro autor do artigo, o professor da Ufes, Áureo Banhos, ressalta que os morcegos insetívoros fazem um importante controle de pragas da agricultura. Já os nectarívoros realizam a polinização das lavouras e os frugívoros dispersam sementes. Todos eles desempenham um papel ecológico de grande relevância, colaborando especialmente com a manutenção da biodiversidade e com uma maior produtividade agrícola.

No artigo, os pesquisadores relatam que os radares com limite de velocidade abaixo de 60 km/h reduziram as taxas de atropelamentos. “Eles são atropelados em voo quando se deslocam de um fragmento para outro. São pequenos, os carros em alta velocidade nem se abalam. Os insetívoros, especialmente, voam atrás de invertebrados que são atraídos para a estrada pela luz dos faróis”, explica Aureo Banhos.

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