Periquitos-rei ‘invadem’ áreas arborizadas no centro de Aracruz

Aves são devoradoras de plantios de milho

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Foto: Danilo Salvadeo

Quem passa pela Praça Monsenhor Guilherme Schmitz, em frente à igreja Matriz, ou pela avenida Venâncio Flores, próximo ao Supermercados Devens, no centro de Aracruz, e também nos bairros Polivalente, Bela Vista e Jardins, é atraído pelo barulho dos bandos imensos de periquitos-rei, ou jandaia-coquinho, que usam as árvores para dormir, chegando entre 16h50 e 17h30. Trata-se da espécie Aratinga aurea, conhecida como periquito-rei ou jandaia, da família Psittacidae, a mesma dos pagagaios e araras.

A espécie, que virou atração na praça, foi identificada pelo biólogo Fabrício Rosa, gerente de Recursos Naturais da secretaria de Meio Ambiente de Aracruz. Segundo ele, as aves são nativas da Mata Atlântica, mas ocorrem no cerrado, caatinga e pantanal. “Não é uma invasão urbana, porque a espécie é adaptada para ambientes alterados, não necessitando de florestas preservadas, diferente de outras espécies da família. É comum nas cidades, nas matas de eucaliptos e pastagens. Essas aves se adaptam facilmente a esses ambientes, nos quais encontram alimentação diversificada. Elas comem grandes quantidades de sementes de capim braquiária, comum em Aracruz”, informa. Também comem flores, frutas e cupins alados.

Periquitos-rei ‘invadem’ áreas arborizadas em Aracruz
Foto: Jasleon Humberto

“Fiz vistoria na praça e as aves não se alimentam lá, e só fazem revoadas e pousos para dormir, pois se sentem seguras, devido a ser uma das poucas áreas arborizadas dentro da cidade. Estamos no período reprodutivo para a maioria das aves, e elas ficam agitadas, mas se socializam bem. Vivem na cidade o ano todo”, diz o biólogo.

De acordo com Fabrício Rosa, “nesse período elas ficam muito ativas, barulhentas e voando muito. Não falta alimento no habitat. Não há desequilíbrio ecológico, pois não tenho pesquisa detalhada. Como suposição, é uma espécie que se adapta bem aos ambientes alterados, e aí a população será sempre maior. Quando existiam mais florestas, as populações eram menores. Há ausência dos predadores naturais, como aves de rapina e alguns mamíferos, como os felinos, que dependem de ambientes mais preservados, e por isso, na área urbana, os predadores são poucos. Os periquitos são protegidos por leis ambientais”.

Pintura no céu de Aracruz

Foto: Danilo Salvadeo

Todos os dias, em Aracruz, a partir de 16h45, os periquitos-rei começam a chegar em pares e pequenos bandos, de várias direções ao Norte e Sul da cidade. O grande encontro permite que observemos inúmeras acrobacias, como os mergulhos no ar em alta velocidade. A grande reunião gera uma algazarra danada, enquanto escolhem seus poleiros. No dia seguinte, acordam cedo – umas seis horas, mas só voltam para as matas, onde se alimentam e se nidificam, entre 8h e 8h30, depois de secarem suas asas, limparem os bicos – alguns fazem isso com areia – e realizarem aquecimentos de voo. O ritual se repete todos os dias, e encanta os transeuntes.

Jandaia-coquinho
O jandaia-coquinho, ou periquito-rei, é uma espécie de ave da ordem dos psittaciformes e da família psittacidae. No Brasil, a ave também é conhecida como periquito-estrela, jandaia-estrela, aratinga-estrela, jandaia, ararinha e maracanã-de-testa-amarela.

Nome científico: Eupsittula aurea
Classificação superior: Eupsittula
Ordem: Psittaciformes
Classificação: Espécie
Espécie: A. aurea
Família: Psittacidae

Características: mede cerca de 29 cm e seu peso pode chegar até 86 gramas. Sua cabeça é verde com uma faixa dianteira na cor de pêssego, face azulada e ventre verde-amarelado. Os adultos possuem uma coloração laranja ao redor dos olhos e os jovens na cor cinza. Suas principais ameaças são a caça, a destruição e a fragmentação do seu habitat.

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