Parto humanizado: respeito à mulher e emponderamento feminino

O parto é um momento único na vida de uma mulher e o conceito de parto humanizado busca trazer de volta essa individualidade do parto, atendendo a mulher dentro de suas necessidades e vontades naquele momento

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Dra. Isabella Bermudes Modenese | CRM: 15076 – ES | Ginecologista e Obstetra

Desde muito pequenas, as mulheres estão acostumadas a relacionar o parto a algo ruim e doloroso, tornando-se até mesmo uma espécie de escala de dor na sociedade utilizando-se de frases como: “Dói mais que dor de parto”, entre outras. Porém, há alguns anos, acompanhando o movimento feminista, a evolução da medicina e os estudos voltados para os desfechos materno-fetais no parto normal versus parto cesárea, observou-se que o parto vaginal, além de ser o mais fisiológico é o que traz mais benefícios tanto para mãe quanto para o bebê.

Entretanto, ao mesmo tempo em que muito se fala sobre o assunto, ainda é pouco difundido entre a sociedade as diferenças entre as diversas denominações do parto. Exemplificando, muitos não sabem que parto normal é sinônimo de parto vaginal, porém não tem o mesmo significado que parto natural, pois este significa um parto que além de ocorrer por via vaginal também acontece sem intervenções, como medicações, analgesia, etc.

Já o parto humanizado não diz respeito à via de parto (alta ou baixa) e sim sobre a condução do processo de trabalho de parto, seja a resolução por cesárea ou parto vaginal. Humanização tem a ver com deixar a natureza fazer o seu trabalho, realizando o mínimo de intervenções médicas e deixando que a mulher assuma o seu protagonismo. É assumir uma postura respeitosa quanto aos desejos e necessidades da mãe e do bebê, levando em conta sempre sua saúde e bem-estar.

É importante dizer que o parto humanizado não é um “tipo” de parto como muitas pessoas pensam que é apenas aquele feito em casa, sem anestesia, etc. A Humanização do parto é um processo, na verdade, de um espetáculo onde a mulher é a protagonista e a sua vontade e o seu bem-estar (e de seu bebê) durante o processo são de extrema importância.

O parto é um momento único na vida de uma mulher e o conceito de parto humanizado busca trazer de volta essa individualidade do parto, atendendo a mulher dentro de suas necessidades e vontades naquele momento. Se esse fosse um processo fisiológico, todos os partos seriam iguais, mas o que faz com que um momento seja diferente do outro é exatamente essa individualidade, a história de cada mulher. Além disso, esse novo tipo de assistência também se baseia no atendimento por equipes multidisciplinares, ou seja, vários tipos de profissionais (como médico obstetra, enfermeira, pediatra, doula, etc.) trabalhando juntos, cada um dentro de seu papel.

Dentro do parto humanizado, existem três pilares essenciais: respeito ao tempo do bebê e da mulher, aguardando o tempo natural para o parto acontecer; protagonismo da mulher, respeitando suas escolhas, fazendo com que ela tenha liberdade para vivenciar o momento da melhor forma possível; e também há o compartilhamento de responsabilidades com base em evidências científicas, quebrando paradigmas e aplicando novas descobertas para que seja feito o que é melhor segundo a ciência.

Ciência esta que se volta ao passado a fim de aprender com nossos ancestrais sobre parto natural, em uma época em que não haviam intervenções. Tudo isso com base no empoderamento do corpo feminino, reconhecimento da experiência e retorno ao primitivo, levando em conta os saberes populares, as experiências cotidianas, históricas, comunitárias. Imagens de mulheres utilizando métodos alternativos de combate à dor, dançando, tranquilas, felizes, sorrindo, junto a seus filhos recém-nascidos e mais velhos, ao lado de seus companheiros, em ambientes humanizados, muitas vezes em suas próprias casas, eram normais.

Todavia, ao longo do tempo imagens como essas foram tornando-se ultrapassadas, seja por vontade da mulher em não sentir dor, seja pela vontade do médico assistente em não passar horas e horas acompanhando um trabalho de parto. E assim o Brasil tornou-se o país, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), campeão mundial no número de cesáreas – enquanto a taxa considerada ideal está entre 10 e 15% dos partos (OMS, 2015), no Brasil esse número chega a 50% do total de nascimentos, chegando a 84% na rede de saúde suplementar. Essa discrepância entre percentuais nos alerta: Algo está errado!

É preciso urgentemente desconstruir o modelo cesarista vigente hoje no Brasil, além de falar sobre traumas ligados à violência obstétrica por meio de intervenções desnecessárias, e não à dor do parto ou ao parto em si. É preciso levar informação de qualidade àquelas famílias que desconhecem o quanto a obstetrícia evoluiu nos últimos anos. É preciso falar de feminismo, empoderamento feminino, e da construção do amor, tão necessário à humanidade, e sem o qual não há futuro – argumentos sensíveis que passam inclusive pela fé, pelo “dom da vida dado por Deus”. Assim, temos um movimento que luta contra uma “verdade moderna” e institucionalizada vigente, buscando alternativas pós-modernas, por meio do retorno ao “primitivo”, que garantam às mulheres o direito de escolha sobre seu corpo e sua vida.

Parto humanizado resume-se em conexão com o corpo e consigo mesmo, expressão da alma por meio do corpo, instinto, poesia, empoderamento, desafio, transcendência de limites, parto como ritual de iniciação e de passagem que fortalece não apenas a mãe, mas a família e o bebê. Por fim, como disse Michel Odent: “Para mudar o mundo, é preciso primeiro mudar a forma de nascer”.

“Isabella… mais uma etapa vencida, uma grande conquista, um passo rumo a um futuro brilhante. Nossa vida tem que ser assim, procurar vencer os obstáculos de uma forma honesta, com sabedoria e seriedade. Hoje, com muita satisfação, as famílias Bermudes e Modenese participam e comemoram com muito orgulho do término de mais um curso: Residência Médica em obstetrícia e ginecologia de Isabella Bermudes Modenese, filha de Everton e Michelle, com muito orgulho para todos nós que acompanhamos a sua trajetória de quem soube honrar com muita dedicação e determinação esta formação universitária”.
Seus avós, Penha e Cleveraldo Bermudes

Dra. Isabella atende na Clínica Médica Zilca em Aracruz

Nascida e criada em Aracruz, Isabella retorna à sua cidade natal após 10 anos de estudo, entre faculdade e residência médica. Formou-se na Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM), fez residência em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória (HSCMV), e atualmente é pós-graduanda em Ultrassonografia também pela EMESCAM.

Neta de Dr. Cleveraldo José Bermudes, renomado obstetra que trouxe tantos aracruzenses ao mundo, Isabella planeja seguir os passos do avô iniciando os atendimentos na cidade na Clínica Médica Zilca a partir de março de 2021. Atualmente, Isabella também investe em levar informação e atualidades sobre ginecologia e obstetrícia por meio das redes sociais, tendo em vista o alcance em grande parcela da população. A médica acredita ser um dos melhores meios para conscientização e incentivo ao emponderamento feminino nos dias atuais.

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