O PESADELO DO 3º REICH: Lyudmila Pavlichenko, a mulher que matou mais de 300 nazistas

Durante a Segunda Guerra, o melhor amigo da militar soviética era um rifle de longo alcance

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Pavlichenko com Eleanor Roosevelt e o juiz Robert Jackson. Foto: Reprodução

Por André Nogueira (site UOL)

Responsável pela morte de centenas de fascistas, em sua maior parte alemães — oficialmente 309, mas muitos relatam uma cifra que passa de 500 homens—, a atiradora soviética Lyudmilla Pavlichenko é considerada, até hoje, a franco-atiradora mais bem-sucedida da História, tendo uma trajetória marcante na Segunda Guerra. Nascida na atual Ucrânia, ela esteve desde cedo envolvida em assuntos bélicos.

Ela era uma exímia sniper. Aos 14 anos se mudou com a família para a capital Kiev (já parte da URSS), e entrou num clube de tiro, onde se tornou cada vez mais aperfeiçoada na técnica. Na mesma época, teve uma gravidez precoce, dando à luz a Rostislav, que foi criado pela avó para que Lyudmilla seguisse nos estudos.

Filha de uma camponesa e um operário, ela trabalhava numa casa de fundição de moedas até que entrou para a faculdade de História na Universidade de Kiev, onde também fez mestrado. Então, ela adentrou a um núcleo de treinamento a atiradoras do Exército Vermelho, onde se desenvolveu como Sniper. Então, com a Operação Barbarossa (invasão nazista à União Soviética), Pavlichenko logo se alistou no esforço de guerra, fazendo parte da primeira lista de voluntários.

Foi designada para a Divisão de Infantaria do Exército, se recusando a atuar como enfermeira – queria pegar em armas e atuar diretamente no front. Num dos exércitos europeus com maior espaço para militares mulheres, ela integrou um grupo de duas mil atiradoras de elite. Com um rifle de longo alcance — que ficou famoso na mão do atirador Vassili Zaitsev (notabilizado como franco-atirador durante a Batalha de Stalingrado, com um total de 243 soldados e oficiais alemães mortos no conflito, chegando a 468 até o fim da guerra) —, ela foi enviada para Belyayeyka, uma cidade de fronteira, onde começou a contar mortes. Com o avanço dos alemães foi levada pela sua unidade a Odessa, uma das maiores cidades da Ucrânia. Lá, atingira sua primeira centena de baixas, num períodos de dois meses.

Porém, em 1942 a blitzkrieg nazista avançava ferozmente no território soviético, e a estratégia de evacuação e exaurimento do inimigo exigia que ela novamente recuasse, sendo direcionada para um posto no Mar Negro, no Cáucaso, onde foi transferida para a Crimeia e promovida a tenente. Em meio ao avanço de Hitler no Sul da Bacia do Volga, um ataque aéreo de morteiro atingiu o posto de Pavlichenko, que foi obrigada a se retirar do campo.

Nova função

Mantida sob custódia médica por um mês e afastada temporariamente da guerra, ela foi indicada como comissária diplomática dos soviéticos em suas conversações com Washington. Pavlichenko e uma equipe foram enviadas para o Canadá e para os EUA, onde foi recebida por Franklin Delano Roosevelt (na primeira vez da história do povo soviético), tendo participado de conferências na Casa Branca. Fez, então, uma visita diplomática ao redor do país, até retornar à URSS com algumas armas que recebeu de presente (pistola Colt e rifle Winchester).

Com um saldo de 309 mortes, com alvos importantes e estratégicos (incluindo mais de 100 oficiais da Alemanha), foi declarado que seus anos de batalha estavam encerrados. Então, retornando à Rússia, ela nunca mais entrou em campo de guerra, passando a treinar snipers para o efetivo militar. Passou a ser ícone relevante da propaganda de guerra soviética, sendo declarada heroína nacional e recebendo a Estrela de Ouro. Retratada nas mais diversas mídias, ela se tornou extremamente famosa. Afeita às armas e aos estudos, ela, então, logo que acabou a guerra em 1945, retornou à Universidade de Kiev.

Por uma década, ela seguiu sua carreira de historiadora na Marinha e, a partir de 1953, partiu para pesquisas mais tradicionais. Famosa e prestigiada como militar, ela participou ainda de celebrações comemorativas da guerra. Mesmo assim seguiu com uma vida mais pacata, entre bibliotecas e grupos de veteranos. Chegou a receber Eleanor Roosevelt em uma visita à capital soviética, onde ajudou a viúva em um processo de depressão.

Mais velha, passou a morar em Moscou, onde viveu até os 58 anos. Porém, em 1974, morreu por conta de um AVC. Com todas as celebrações dignas para uma heroína de guerra, ela foi enterrada no Cemitério Novodevichy, numa sepultura ate hoje muito visitada, onde descansa ela e o filho Rostislav. Sua vida foi retratada pelo filme russo Batalha de Sebastopol.

Filme

Com sua história levada ao cinema no longa russo Batalha de Sebastopol, Lyudmila Pavlichenko lutou na Segunda Guerra Mundial por mais ou menos dois meses e meio em Odessa, onde contabilizaria 187 mortes. Quando os alemães tomaram o controle de Odessa, sua unidade foi evacuada pelo Mar Negro até o porto de Sebastopol, na Península da Crimeia. Em maio de 1942, já então tenente, foi condecorada por ter matado 257 soldados alemães. Seu número total de mortes durante a Segunda Guerra seria de 309, incluindo 36 snipers e pelo menos 100 oficiais. Normalmente costumava trabalhar com um observador a uns 200-300m à frente de sua unidade, muitas vezes ficando imóvel por 18 horas seguidas.

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