O negócio

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O negócio é o seguinte: o mercado mundial de “chips” representa uns bons US$ 470 bilhões (dados de 2021). Li que “no Brasil a principal produtora de semicondutores é a CEITEC”, uma empresa estatal. Segundo consta, “é a única da América Latina a produzir sensores e circuitos integrados em silício”. Porém, segundo noticiado, “a empresa encontra-se em processo de liquidação” (CNN Brasil, 09/05/2021).

Aos 8 de fevereiro de 2022 foi lançado na Europa o “Chip Act”, através do qual prevê-se um total de US$ 49 bilhões de investimentos na tecnologia e fabricação de “chips”. A meta é conseguir que o Velho Continente duplique sua participação no mercado mundial, alcançando 20% deste.

Precisos quatro dias antes foi aprovado no Congresso dos EUA o projeto “America Competes Act of 2022”, destinando US$ 52 bilhões para auxiliar empresas de tecnologia e financiar projetos de pesquisa. Outros US$ 45 bilhões deverão ser utilizados no aprimoramento da cadeia de suprimentos de “chips”.

Uns quatro anos antes anunciou-se, na China, o “National Integrated Circuitry Investment Fund”. São US$ 47 bilhões destinados ao financiamento de pesquisas e desenvolvimento de “chips” de última geração.

Nos idos de 2021 a empresa TSMC, de Taiwan, anunciou para os três anos seguintes investimentos em pesquisa e fabricação de “chips” da ordem de US$ 100 bilhões. Na mesma época o Japão divulgou que investirá US$ 338 milhões em pesquisas nesta área.

Não nos esqueçamos, evidentemente, da Coreia do Sul. Anunciou-se, naquele mesmo ano, um pacote de US$ 451 bilhões destinado a manter as empresas do país “em dia” com as necessidades do mercado de tecnologia.

Israel adotou uma política algo distinta, porém não menos efetiva. Optou por investir pesadamente apenas no desenvolvimento de “chips”, e não na fabricação destes. Está dando certo. Em 2021 registrou-se, por conta de uma única empresa (a norte-americana Intel), um investimento da ordem de US$ 600 milhões na fabricação de “chips” lá projetados.

Diante deste quadro impõe-se uma reflexão: será que nosso destino será mesmo o de mero “montador” ou importador até de calculadoras de bolso? Estaríamos, diante de tão imenso contraste em área tão importante, comprometendo até mesmo a segurança nacional? E, finalmente, até quando o extrativismo nos sustentará?

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