O maior inimigo

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Não faz muito tempo um dos mais importantes políticos britânicos escreveu um duro texto contra o uso de drogas. Descobriu-se que enquanto os jornais ainda imprimiam suas palavras – sim, na mesma noite – ele patrocinou em sua residência uma animada festa regada a muita cocaína.

Não muito longe dali, na Rússia, sacerdotes abençoavam mísseis nucleares – daqueles capazes de matar milhões a um só golpe. Nos EUA um fabricante de armas pesadas utilizadas pelas Forças Armadas decidiu gravar em cada uma delas um versículo da Bíblia.

Por falar nos EUA, a Indonésia decidiu devolver carregamentos de lixo enviados por aquele país, sob o argumento de não ser “uma lixeira”. Igual destino tiveram 1.500 toneladas de dejetos enviados pelo Canadá às Filipinas.

No Haiti denunciou-se que voluntários de uma respeitada ONG europeia, especializada em ajudar flagelados por desastres naturais, contribuíam ativamente para o mercado local da prostituição – em bom português, compravam os corpos das mulheres e crianças que deveriam estar salvando.

Na Índia, jornalistas descobriram que mendigos estavam sendo recolhidos das ruas a fim de que não fossem vistos pela filha do presidente norte-americano, quando em visita. Fiquei a recordar-me dos barracos demolidos há alguns anos em São Paulo, por conta de motivo absolutamente análogo.

Enquanto isso, dada investigação jornalística concluiu que dois dos maiores “paraísos fiscais” do planeta estão nos EUA e no Reino Unido. No pequeno estado de Delaware, por exemplo, habitado por apenas 917.092 pessoas, existem 945 mil empresas.

Ao longo de uns 17 anos de funcionamento o Tribunal Penal Internacional, criado para processar e julgar pessoas suspeitas de cometerem crimes contra os direitos humanos, condenou um único acusado – um africano.

No Congo, índios pigmeus denunciaram estarem sob um processo de expulsão de suas terras patrocinado por poderosas instituições da Europa. Nos EUA descobriram que só as Forças Armadas emitem mais dióxido de carbono que Portugal inteiro. Na França noticiou-se que suas importações são responsáveis pela eliminação de 1.862.000 hectares de florestas apenas no Brasil.

Agora levante-se. Vá à janela. Contemple nosso mundo. Nosso país. Respire fundo. E lentamente comece a compreender os contornos de nosso maior inimigo.

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