O adeus de João Neiva ao padre que jogou futebol no Espírito Santo

Padre Carlos defendeu a Ferroviária de João Neiva nos anos 70

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Padre Carlos em lance com o lateral Dirman, do Rio Branco, no Capixabão

Morreu no domingo 20, na Paraíba, o padre comboniano Carlos Bascaran Collante, aos 79 anos, vitimado pela covid-19. Ele ficou famoso no futebol capixaba ao defender a Ferroviária de João Neiva nos campeonatos estaduais, cidade na qual foi pároco nos anos 70 e 80. O missionário ficou conhecido no Brasil após uma matéria no programa Fantástico, da Rede Globo, em que aparece rezando missa e jogando futebol.

Seu corpo foi sepultado na tarde de terça-feira 21, no Cemitério Vale da Saudade, em Santa Rita, na Paraíba. Ele morreu após passar 20 dias internado, segundo informou a Arquidiocese da Paraíba. Natural da Espanha, o padre estava a 50 anos se dedicando à vida religiosa. O missionário atuava na Paróquia Santo Antônio, em Santa Rita, na Grande João Pessoa, na Paraíba, desde 2010.

Padre Carlos vestiu a camisa da Ferroviária de João Neiva, disputando campeonatos estaduais. Em 1974 ele marcou o gol de honra do time na derrota de 3 a 1 para a Desportiva Ferroviária, no Estádio dos Eucaliptos, na cidade, e este gol foi destaque no programa Fantástico, da Rede Globo

De 1974 a 1977 o padre Carlos trabalhou nas paróquias de João Neiva e Nova Venécia, onde se tornou famoso por ser também jogador de futebol profissional. A fama de padre jogador levou Carlos a ser capa da revista Placar e tema de reportagem no Fantástico, da Rede Globo.

Pertencente à Congregação dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus (MCCJ), ele chegou à Arquidiocese da Paraíba em março de 2010. Em nota, a Arquidiocese declarou que “une-se em oração por este irmão que agora se encontra na Pátria Celeste, para que o Senhor o acolha e o dê o descanso eterno”.

Em 1963, com 22 anos, Carlos deixou a Universidade de Química e o futebol para ser missionário, entrando na Congregação Comboniana. Em 1966 foi para Portugal estudar Teologia e, em 1970, aos 30 anos, foi ordenado padre na cidade do Porto.

Conforme o jornalista esportivo Oscar Rocha Junior, que acompanhou algumas partidas de padre Carlos, ele era muito hábil, forte e não entrava em divididas para perder. “Os adversários reclamavam, inclusive, que ele tinha canela dura demais. Era o craque do time e até os evangélicos gritavam o nome dele quando entrava em campo”, brinca Oscar.

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