O adeus de Ibiraçu e do Estado a Jorge Sagrilo, o fotógrafo-historiador

Ele era um dos principais nomes da fotografia capixaba, inclusive ganhando destaque internacional, estando sempre à frente de seu tempo.

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Foto: Divulgação

Natural de Pendanga, em Ibiraçu, deixa saudada no município um dos principais fotógrafos do Estado, Jorge Sagrilo, que morreu na quarta-feira 16, após complicações em uma cirurgia de extração de um nódulo no pulmão. Sagrilo foi fundador do primeiro estúdio fotográfico exclusivo para fotografia publicitária em Vitória.

Ele era um dos principais nomes da fotografia capixaba, inclusive ganhando destaque internacional, estando sempre à frente de seu tempo. Em 1974 ele foi contratado pelo jornal A Tribuna, da capital, como fotojornalista, mas pediu demissão quando percebeu que queria seguir o sonho da publicidade.

Assim que saiu do jornal, foi trabalhar como assistente do também famoso fotógrafo Nello Caleari, que veio a falecer um ano depois. O aprendizado com Nello foi a base para que Sagrilo se dedicasse quase que exclusivamente à fotografia publicitária, corporativa e aérea. Em 1980 ele fundou a Empresa Sagrilo Fotografia.

O ex-governador do Estado, Paulo Hartung, lamentou a morte do artista, em uma nota encaminhada à imprensa: “A morte de Jorge Sagrilo deixa a fotografia capixaba órfã de seu olhar sensível e apurado. Ele registrou, por meio de suas lentes, a nossa cultura e momentos importantes da história do Estado, também tendo colaborado nos registros da minha trajetória político-eleitoral, deixando um legado de compromisso com a arte. Meus mais sinceros sentimentos aos familiares e amigos”.

Um fusca por Nova Iorque

Em 1971, Sagrilo vendeu todos os seus pertences, inclusive um fusca 66, e foi morar em Nova Iorque, nos Estados Unidos, para tentar estudar fotografia. De acordo com a descrição sobre esta época, em seu site, ele morou 18 meses sozinho e trabalhou como assistente de alguns fotógrafos, além de ter aceitado todo o tipo de trabalho oferecido a imigrantes ilegais. “Viveu uma época bastante turbulenta na cultura da cidade e participou de todos os protestos contra a guerra do Vietnam, que normalmente terminavam em concertos de músicos ‘descolados’ no Central Park”, diz um trecho da biografia. No ano seguinte, ele voltou para o Brasil, decidido a ser fotógrafo e, nesse mesmo ano, recebeu uma Menção Honrosa no Nikon International Photo Contest, um grande feito para um fotógrafo amador, de apenas 20 anos.

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