Nomes estranhos e os que não pegam em Aracruz

Em reportagem publicada pela FOLHA DO LITORAL em 2013, o ex-prefeito Jones Cavaglieri, nascido no município, contou as histórias e lendas que ele conhece, e explicou que existem lugares com nomes esquisitos em Aracruz

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Trecho da avenida Castelo Branco, principal via de acesso ao bairro Bela Vista, que era conhecido por “Caneco”. Foto: Danilo Salvadeo

Aracruz tem algumas praças, ruas, bairros e rodovias que não são conhecidos pelo verdadeiro nome. A reportagem da FOLHA DO LITORAL foi às ruas para saber se a população sabe qual é o verdadeiro nome e significado desses lugares do município e ainda algumas origens dos nomes “esquisitos” de alguns bairros.

A praça do centro é conhecida como Praça da Matriz ou Praça São João Batista, mas seu verdadeiro nome é Praça Monsenhor Guilherme Schimitz, trocado em 1982 por iniciativa da então vereadora Marideia Bitti. E o nome verdadeiro da Praça da Paz, conhecida como Praça do Trevo ou Praça do Lazer, é Heraldo Barbosa Musso, por meio de projeto do ex-vereador Samuel Nascimento Barboza.

Algumas pessoas também costumam não saber o nome dos lugares, como os das praças, e preferem se localizar pelos pontos de referência. Praça da Igreja, aquela que fica próxima à padaria. Rua Professor Lobo, conhecida como rua da Câmara.

Jones Cavaglieri explica algumas origens

Em reportagem publicada pela FOLHA DO LITORAL em 2013, o ex-prefeito Jones Cavaglieri, nascido no município, contou as histórias e lendas que ele conhece, e explicou que existem lugares com nomes esquisitos em Aracruz:

Sapolândia – O bairro Coqueiral também tem lugares com nomes curiosos. Tem uma parte que é chamada de “Bairro Novo” e posteriormente de Mangue Seco, em homenagem à novela “Tieta”, transmitida na época da sua construção. Existe também o Vaticano, devido às diversas igrejas construídas no local, e a Sapolândia, que recebeu o nome devido a uma lagoa existente no local e ao barulho noturno dos sapos.

Córrego Alegre“Eu sei uma história de Córrego Alegre, mas não sei se foi isso que motivou: o cara tinha um alambique, e acho que o pessoal ainda está lá. De noite quebrava muitas garrafas, e certo dia o dono foi matar um macaco, só que ao levantar a espingarda, era uma macaca que tinha colocado o filhote na frente, e ao ver que tinha matado o bichinho, ficou com a consciência pesada e traumatizado. Então, um dia, o filho queria matar um gambá, mas o pai disse: ‘não, vamos dar cachaça’. Então, descobriram que o gambá não morreu e gostava mesmo de cachaça, que era alegria pura e não aguentava ir embora de tanta cachaça que ele bebeu”.

Morro do Pelado – “Sobre o Morro do Pelado, que é onde eu nasci e é chamado assim porque não tinha vegetação, era um morro de laje, e devido a essa falta de vegetação colocaram o nome de ‘Pelado’, e ao lado dele, um morro pequeno que é chamado de Peladinho”.

Assombro – Quanto à região de Assombro, Cavaglieri disse que já conversou com um morador de 85 anos que vive lá e diz que é Assombro porque matou muita gente por causa das curvas da rodovia BR 101. Mas ele acredita que não é por causa do asfalto, porque esse nome é antigo e existia muito antes disso. “Onde tem aquele aterro ali, antigamente tinha uma estrada que passava por fora, e ali tinha uma lagoa grande e uma árvore com uma sombra enorme. Antigamente, o pessoal do Norte do Estado que trazia os animais para vir para casa, parava lá na lagoa para comer, dar água aos animais e se alimentar. Então os homens falavam que iam parar na ‘sombra’. A origem do nome é ‘A Sombra’, mas ficou sendo adaptado para ‘Assombro’ e é chamado assim até hoje”, contou.

Caneco e Cachorro Sentado – Os bairros Bela Vista, em Aracruz, e Bela Vista de Jacupemba eram conhecidos por “Caneco” e “Cachorro Sentado”. “Caneco, que era uma região humilde, ganhou o nome devido ao costume dos moradores, que tomavam leite, água e faziam as refeições no caneco. Cachorro Sentado é chamado assim porque do outro lado da calçada do bairro tinha um matadouro de porco, e naquela época, quando acabavam de limpar os porcos, os açougueiros guardavam as partes que eles iam usar e jogavam o que não prestava para os cachorros, que ficavam lá esperando, sentados, o que deu origem ao nome do lugar”, contou Cavaglieri.

Buraco da Gilda – Perto do centro de Aracruz existe o Buraco da Gilda, que segundo Jones, foi uma das primeiras moradoras no local que é hoje a Baixada Polivalente. “Ela morava, literalmente, em um buraco difícil de chegar porque era um brejo e o morro muito inclinado. Mas o curioso é que ela tinha uma pequena propriedade com bananeiras, e como forma de localização, as pessoas costumavam dizer: lá no Buraco da Gilda”, diz.

Esta versão, na época da publicação, foi contestada pelo leitor Joatan Cabidelle dos Santos. Segundo ele, o nome “buraco” é devido à geografia do local, uma grande baixada próxima ao centro de Aracruz, e que durante muito tempo, no passado, teve o trânsito de veículos impossibilitado devido aos valões que corriam a céu aberto, o que piorava muito na época das chuvas, fazendo com que todo o transporte de compras, materiais de construção, botijas de gás, entre outros, fosse feita de forma manual pelos próprios moradores. A casa da Gilda, na época, possuía uma boa localização em relação à de muitos outros moradores, sendo uma das poucas casas com aparelho de rádio, televisor, cerca, portão e caixa d’água. Em resumo, naquela época a casa da Gilda tinha localização e estrutura privilegiada. Quanto às bananeiras, as mesmas faziam parte da paisagem do local devido ao solo muito úmido, e não era uma característica exclusiva da propriedade da Gilda, e sim de todo o bairro. Quanto à Gilda, foi uma antiga moradora que infelizmente ficava à mercê das bondades ou maldades das pessoas, fato que a tornou folclórica no local. Com isso, algumas pessoas passaram a lembrar-se da comunidade, após o seu falecimento na década de 90, chamando o bairro com o nome de “Buraco da Gilda”.

Guaraná – Antes de se chamar Guaraná, o distrito era conhecido por Ribeirão da Linha, devido à linha de telégrafo, e depois passou a se chamar Guaraná, em homenagem ao general Aristides Armínio Guaraná, herói da Guerra do Paraguai e criador do povoado de Conde D’Eu, hoje município de Ibiraçu, que montou o Engenho Central Guaraná na Fazenda das Palmas, em Aracruz, e nunca pisou no distrito ao qual empresta o nome.

Irajá – Segundo a lenda que seu pai contava, Cavaglieri diz que o nome Irajá é por causa dos índios que vinham subindo o rio Piraquê-açu, quando ocorreu uma ventania e eles, com medo, falavam: “segura no barco porque senão ele vai virar já”.

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