Navio de Apoio Antártico será totalmente construído em Aracruz

A previsão é que o navio possa ser construído entre 2022 e 2025, com a expectativa de geração de 600 empregos diretos e seis mil indiretos

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O RV Investigator operando na região Antártica. O Estaleiro Jurong, na licitação, apresentou o projeto baseado neste navio de pesquisas oceanográficas, que será a base do futuro NApAnt. Foto: Divulgação

Com informações da Marinha do Brasil

Do casco à finalização. O Estaleiro Jurong Aracruz (EJA) construirá integralmente o navio de apoio Antártico (NApAnt) da Marinha do Brasil, que substituirá e desenvolverá as mesmas missões do navio de apoio oceanográfico Ary Rongel, com capacidades aprimoradas, em função da experiência da Marinha no Programa Antártico Brasileiro (Proantar) e dos requisitos de apoio à nova Estação Antártica Comandante Ferraz.

A previsão é que o navio possa ser construído entre 2022 e 2025, com a expectativa de geração de 600 empregos diretos e seis mil indiretos. A indústria naval capixaba, com polo em Aracruz, só tem o que comemorar, porque o EJA disputará as licitações para a construção de mais três navios-sondas da Petrobras, com amplas chances de sair vitorioso.

Maquete do NApAnt

O Estaleiro Jurong Aracruz, pertencente à Sembcorp Marine Specialised Shipbuilding, de Singapura, venceu a concorrência para a construção do Navio de Apoio Antártico (NApAnt). Três empresas/consórcios disputaram a fase final da concorrência da Marinha do Brasil para a construção integral do navio. A diretoria de Gestão de Programas da Marinha do Brasil (DGePM) escolheu três das quatro propostas que haviam sido selecionadas na fase anterior.

Damen Shipyards/Wilson Sons Estaleiros; Estaleiro Jurong Aracruz/Sembcorp Marine Specialised Shipbuilding PTE; e Itaguaí Construções Navais S/A (ICN) e Kership S.A.S (joint venture entre as francesas Piriou e Naval Group) foram os finalistas do processo. Ficou de fora as propostas comerciais da projetista norte-americana Glosten Inc. e da indiana Sacanb Offshore Ltda apresentada na etapa anterior.

O NApAnt substituirá o NApOc Ary Rongel, que foi incorporado à Marinha do Brasil em abril de 1994 e, a partir de então, a cada ano, opera em média durante seis meses na Antártica. A Marinha exigiu índice de conteúdo local mínimo de 45%, que será calculado a partir da divisão entre custos diretos de produção local (materiais, serviços e mão de obra direta) dividido pelos custos diretos de produção local e importados (custos totais), conforme critérios do BNDES. A RFP (request for proposal) estabelece que o navio tem que ser construído em estaleiro situado no Brasil.

NApAnt

Poucas informações foram divulgadas sobre o novo navio. O que se sabe até o momento é que ele terá capacidade para 102 tripulantes e demandará menos pessoas na operação, o que abrirá mais vagas para pesquisadores. Além disso, contará com os seguintes equipamentos: ecobatímetro monofeixe de tripla frequência, com capacidade de obter dados de até 10 mil metros de profundidade; sensor de movimento para o sistema de oceanografia; sensor giro-GPS para o sistema de oceanografia (ADCP) e meteorologia; perfilador de correntes por efeito doppler acústico (ADCP) com frequência de 75 khz e fixo no casco; termossalinógrafo e receptor de imagens meteorológicas de satélites em órbita polar.

Antártica ou Antártida?

A Marinha do Brasil chama de Antártica, até porque o nome é Estação Antártica Comandante Ferraz. No passado, era mais comum usar Antártida, porque é como está escrito em documentos oficiais, como o próprio tratado que previu a ocupação do continente gelado. Atualmente é assim: alguns estudiosos acham “Antártica” mais correto, porque surgiu de um termo grego que quer dizer “antiártico”, ou “do outro lado do ártico”. Como o Ártico é no Polo Norte do planeta, o antiártico é no Polo Sul. E assim ficou Continente Antártico. A Antártica é uma zona politicamente neutra e que não pertence a nenhum país, sendo, sobretudo, uma área de preservação científica. Embora não haja habitantes permanentes, cerca de quatro mil cientistas realizam pesquisas no continente durante o verão. A Antártica possui diversos recursos naturais, como chumbo, prata, cobre, petróleo, gás natural etc., no entanto, a extração mineral também foi proibida com o Tratado da Antártica. Devido às condições climáticas de -30ºC a -65ºC, as espécies vegetais que se desenvolvem na região se restringem a musgos, liquens e outras plantas inferiores. Já em relação às espécies de animais, existem pinguins, albatrozes, petréis, focas, lobos-marinhos, baleias, entre outros.

Futuro NApAnt da Marinha terá como base o NAPIP do Estaleiro Jurong

Por Luiz Padilha

Após o anúncio do Estaleiro Jurong Aracruz como vencedor da licitação para a construção no Brasil do novo navio de Apoio Antártico (NApAnt), conheçam o modelo que o estaleiro ofereceu à Marinha do Brasil. Com um Navio de Propriedade Intelectual de Proponente (NAPIP), o Jurong apresentou um projeto baseado no RV Investigator, um navio de pesquisas oceanográficas com capacidade para operar na região Antártica, que será a base do futuro NapAnt.

O projeto do navio sofrerá customizações como adição de hangar e convés de voo (convoo), mas muitas características serão mantidas, com a indústria naval brasileira participando ativamente para atingir o índice de nacionalização do futuro NApAnt em mais de 45%.

RV Investigator operando na região Antártica. O Estaleiro Jurong, na licitação, apresentou o projeto baseado neste navio de pesquisas oceanográficas, que será a base do futuro NApAnt
Peso: 6.082 T
Comprimento: 93,9 m
Boca: 18,5 m
Calado: 6,2 m
Propulsão: Diesel Elétrica com 3 Diesel Geradores MAK 9M25C (3.000 KW cada), 2 motores de propulsão elétrica reversível (2.600 kW cada) com duas hélices de passo fixo de velocidade lenta, 1 motor elétrico retrátil Azimutal de 1.200 kW
Velocidade: 12kts
Alcance: 10.000 milhas náuticas (19.000 km) ou 60 dias
Tripulação: 20 tripulantes e até 40 cientistas

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