Nanocelulose é aposta da Suzano para o futuro

Na unidade de Aracruz, a Suzano desenvolve uma planta de nanocelulose, ainda em teste, cotada a US$ 8 mil a tonelada, com a produção limitada a 2 mil toneladas/mês

0
270
A nanocelulose pode significar uma importante diversificação dos negócios da Suzano. Foto: Divulgação

Com a tonelada da celulose comum sendo comercializada a US$ 600, a Suzano desenvolve na fábrica de Barra do Riacho, em Aracruz, uma planta de nanocelulose, ainda em teste, cotada a US$ 8 mil a tonelada, com a produção limitada a 2 mil toneladas/mês.

A nanocelulose tem aplicações no reforço de materiais plásticos e de cimento, em sensores da indústria de petróleo e gás, em curativos especiais e próteses, em tintas, revestimentos, cosméticos e, com acréscimo de outras substâncias, na indústria eletroeletrônica.

Extraídos da celulose, matéria-prima da fabricação do papel, os nanocristais podem ter origem em madeira de reflorestamento, mas também em sobras de madeira, bagaço de cana, cascas de coco e de arroz, resíduos da produção de óleo de soja e de palma (dendê). Os nanocristais são de origem renovável, leves e biodegradáveis, levando vantagem sobre outros materiais sintéticos – muitas vezes originários de derivados de petróleo.

Empresas brasileiras investem em nanocelulose, mas a Suzano está na frente. O declínio da indústria de papel, associado a progressos em tecnologia de materiais, fez surgir esta nova opção, que tem despertado interesse empresarial. A celulose em escala nanométrica (para ser considerada como tal, ao menos uma das dimensões precisa ter menos de 100 nanômetros, ou nm) pode ter formato de nanofibrilas ou nanocristais.

As primeiras têm a forma de espaguete e são facilmente entrelaçáveis, destinadas preferencialmente ao reforço de embalagens plásticas. Já os nanocristais de celulose, que medem de 5 a 20 nm de largura e de 100 a 500 nm de comprimento, têm a aparência de arroz e são considerados um material mais nobre porque podem ter carga elétrica na superfície e propriedades químicas, ópticas e eletrônicas. Este novo material é caracterizado por uma estrutura cristalina nanométrica existente no interior de qualquer fibra vegetal.

Quando ainda era Fibria, a Suzano passou, em novembro de 2016, a ser sócia da canadense CelluForce, primeira produtora comercial de nanocristais de celulose. A então Fibria investiu cerca de US$ 4 milhões, adquirindo 8,3% de participação no capital da CelluForce, startup da FPInnovations, centro de pesquisas do setor florestal canadense.

A nanocelulose pode significar uma importante diversificação dos negócios da Suzano. A empresa tem os direitos de produção no país e de distribuição dos nanocristais em toda a América Latina. Tanto a Celluforce como a Suzano serão inicialmente fornecedoras de matéria-prima. A Suzano prevê montar uma fábrica-piloto para a produção de nanocristais de celulose no seu Centro de Tecnologia em Aracruz.

A gerente executiva de desenvolvimento de celulose e biorrefinaria da Suzano, Bibiana Ribeiro Rubini, explica que as grandes propriedades dos materiais nanos são de dar mais resistência aos produtos: “é como se a nanocelulose transformasse o líquido em gel. É possível, por exemplo, fazer um papel mais resistente, uma tinta que não vai escorrer, nem manchar, um cosmético com mais aderência à pele, um cimento firme e com mais leveza, e até mesmo tecidos”.

PUBLICIDADE