Mortes em rodovias federais preocupam deputados estaduais

De 2019 até agora foram 269 mortes, 5.064 acidentes e 6.055 feridos nas rodovias federais que cortam o Estado, aponta a PRF

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Foto: Ascom PRF

Por Gleyson Tete (Ales)

Neste ano, 116 pessoas já perderam a vida em acidentes nas rodovias federais que cortam o Espírito Santo. Também foram registrados 2.218 acidentes e 2.590 feridos. Os dados, referentes até novembro, foram apresentados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) à Comissão Especial de Fiscalização da BR-101 da Assembleia Legislativa, em reunião virtual nesta semana.

De acordo com o inspetor da PRF, Alexander Valdo, o número de mortes pode ser ainda maior, pois são contabilizados apenas os óbitos verificados nos locais dos acidentes e muitos acabam ocorrendo dias depois em unidades hospitalares. Ele contou que no mesmo período de 2019 (janeiro a novembro) foram 133 mortes. “Houve uma diminuição do número de mortes nos últimos 10 anos. Nunca teremos prazer de falar qualquer número que não seja zero, mas mesmo os países mais desenvolvidos que têm evolução maior em questão de estrutura e conscientização dos condutores ainda têm ocorrências”, afirmou.

O policial ainda apresentou as principais infrações registradas em 2020. Lidera o ranking o excesso de velocidade (59.277 autuações), seguido por ultrapassagem proibida (21.585), falta de cinto de segurança (10.484) e alcoolemia (773). Para Valdo, a segurança no trânsito é composta por um tripé formado por estrutura, fiscalização e consciência dos condutores. “Investimentos estruturais vêm ocorrendo, o que contribui para a diminuição dos acidentes, mas as multas demonstram que a educação do condutor muitas vezes se dá por punição pecuniária por um crime e os registros de alcoolemia ocorrem mesmo com as campanhas de conscientização”, lamentou.

Vice-presidente da Comissão, o deputado Alexandre Xambinho perguntou quais seriam os trechos da BR-101 com mais registros de acidentes. Valdo apontou a parte da via entre a Serra Sede e a Grande Carapina. “Há um aglomerado urbano, cruzamentos em nível, faixa de pedestres longe uma das outras”, disse. Também citou a pista próxima à Cidade Pomar, também no município serrano. “Tem um imbróglio jurídico entre a Eco101, ANTT e Dnit. Falta uma separação entre as vias e tem declive. Tivemos acidentes graves com óbitos entre outubro e novembro”. Além do trecho urbano do município da Serra e Rodovia do Contorno, ele citou como regiões campeões de acidentes o trecho do km 180 ao 100, em Aracruz; km 230 ao 240, entre Ibiraçu e Fundão; e km 330 ao 340, em Guarapari.

O deputado Marcos Garcia falou que números da própria PRF indicavam 126 mortes na BR-101 entre os anos de 2007 e 2016. Ele questionou se a ausência de duplicação na via poderia estar contribuindo para os acidentes na rodovia. “A duplicação é muito importante, mas não é uma salvaguarda geral contra o excesso de velocidade e o consumo de álcool. A duplicação é fundamental, com a colocação de barreira física, que evita o acidente com maior número de letalidade, que é a colisão frontal”, frisou o inspetor Valdo.

Ações da Eco101

Os representantes da Eco101, empresa responsável por administrar o trecho da BR-101 no Estado, também participaram da reunião. O gerente de atendimento ao usuário, Christian Tanimoto, falou um pouco das ações da Concessionária na rodovia, em especial, em relação à prevenção dos acidentes. Ele citou que dados mostram que no Estado apenas 20% do total dos acidentes ocorrem em rodovias federais. Além disso, o trecho que corta Serra representa 29% dos acidentes da BR-101. Para amenizar o problema, a Eco101 promove ações de conscientização e de sensibilização do público que trafega na região.

Segundo Tanimoto, desde 2013, quando teve início o contrato de concessão dos 475,9 km, foi investido, de modo geral, R$ 1,7 bilhão na rodovia. Desde então foi registrada redução dos acidentes em 42% e de óbitos em 63%. O gerente informou que a empresa ainda realizou 280 mil atendimentos médicos e mecânicos e repassou R$ 4,8 milhões à PRF destinados à compra de veículos, aparelhos de fiscalização e outros.

Outras ações da Eco101 citadas por ele foram: a duplicação de 41,3 km de vias até o momento, a construção de 19 passarelas (as últimas três devem ser entregues neste mês), implantação de 26 radares, formulação do Programa de Redução de Acidentes (PRA) e campanhas voltadas para motoristas, caminhoneiros, pedestres e ciclistas.

Trecho Norte

Sobre a demora e falta de previsão para a duplicação do Trecho Norte, o diretor-superintendente da Concessionária, Carlos Eduardo Xisto, salientou que ocorreram algumas mudanças no projeto a pedido das próprias comunidades e que a demora na emissão de licenças por parte do Ibama acaba atrasando o início das obras, mas anunciou que tudo estará resolvido até o fim do primeiro semestre do ano que vem (no ano passado ele havia garantidos aos deputados que isso ocorreria em abril deste ano). Xisto disse que, até abril, esses estudos serão entregues para que sejam obtidos os licenciamentos para os contornos de Fundão, Ibiraçu e Linhares (ele disse contornos e não falou em duplicação).

Trevo da morte

Xambinho questionou o motivo da demora da duplicação da via entre os quilômetros 260 e 262, em Cidade Pomar, no chamado “Trevo da Morte”. Xisto disse que a empresa ainda não pode fazer as obras necessárias por conta de um imbróglio jurídico envolvendo o Dnit. “Este local é um ponto crítico, a gente pode tomar algumas atitudes na nossa esfera. Instalamos radares, balizadores e prestamos serviços médicos e mecânicos. Nos interessa assumir o quanto antes para recuperar o pavimento”, enfatizou.

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