Médica pede mudança na gestão da saúde indígena

A proposta seria uma saída para melhorar a assistência ofertada às 14 aldeias de Aracruz, que hoje sofrem com a pandemia

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A médica Alda Regina Gomes. Foto: Ana Salles

Por Marcos Bonn (Ales)

Eu reunião virtual da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, na semana passada, a médica Alda Regina Monteiro Gomes cobrou que o gerenciamento da saúde indígena seja feito no Espírito Santo. A proposta, segundo afirmou, seria uma saída para melhorar a assistência ofertada às 14 aldeias de Aracruz, que hoje sofrem com a pandemia.

Alda Gomes atende na aldeia Caieiras Velha desde setembro de 2020 e explicou que o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), de Governador Valadares (MG), é o responsável pelas ações de saúde no Espírito Santo. Ela fez apelo para que os deputados achem uma saída política para essa situação. O pedido foi reforçado pelo representante do povo tupiniquim e guarani, Wellington Pego.

A médica relatou que a dependência do Dsei mineiro acaba gerando dificuldade para o atendimento dos cerca de 6 mil índios de Aracruz, como a falta de insumos e de equipamentos médico-hospitalares. “Hoje estou trabalhando na aldeia sem um equipamento de pressão, eu tenho de pegar emprestado”, revelou ela, que disse comprar a própria máscara.

Além disso, a profissional levantou problemas estruturais, como a falta de uma pia no consultório (resolvido a seu pedido) e afirmou que faz os atendimentos em um polo administrativo que, de forma improvisada, foi transformado em unidade básica de saúde. Ela ressaltou ações realizadas pela equipe de saúde indígena capixaba, como os bloqueios sanitários no início da pandemia, orientações sobre cuidados contra o novo coronavírus junto aos indígenas e inquérito sorológico de todos os indivíduos como forma de prevenção.

O presidente da Comissão de Saúde, deputado Doutor Hércules, pediu que Alda Gomes e Wellington Pego escrevam um documento endereçado ao Colegiado explicando a falta de apoio. O parlamentar também sugeriu uma audiência com a secretaria de Estado da Saúde, com participação do Ministério Público e membros dos conselhos estadual e municipal (de Aracruz) de Saúde.

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