Luz que cega

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Aqui no nosso País há, inegavelmente, uma boa quantidade de Polícias. Se não, vejamos: Temos, antes de mais nada, os dois frondosos ramos da Polícia Civil e Polícia Militar. A primeira exerce as funções de Polícia Judiciária, enquanto a outra é o braço armado do Estado. Mas, além disso, ainda existem: Polícia Federal, Polícia Marítima, Polícia Florestal, Polícia de Fronteiras, Polícia Tributária, Polícia Fazendária, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Rodoviária Estadual, Polícia Rodoviária Municipal, Guarda Municipal, Polícia Sanitária, Polícia do Exército, Polícia da Marinha, Polícia da Aeronáutica, Polícia Secreta, Polícia Penitenciária, Polícia de Choque, Polícia mata-mosquitos (muito atuante no interior) e, finalmente, a Polícia Ambiental.

Independentemente dessa formidável estrutura, os órgãos da Administração Pública, sejam federal, estadual, municipal ou autárquica, exercem o poder de polícia e seus fiscais costumam intimar, autuar e mesmo prender possíveis violadores das normas e regulamentos de saúde pública, de construções, de poluição, de higiene, de diversões, de ruídos, de estatutos do trabalho, previdenciários etc.

Estas são polícias brasileiras. Não se pode esquecer, entretanto, que mediante convênio assinado com o Governo Federal, atuam aqui dentro, também, polícias norte-americanas: o FBI e a CIA, ambas, segundo consta, auxiliando a polícia brasileira, especialmente no combate ao narcotráfico.

Ocorre que, por incrível que pareça, apesar de toda essa gigantesca máquina policial, a criminalidade no nosso País só tende a aumentar, talvez, mesmo, pelo exagerado número de polícias, pois, como diziam os gregos antigos, o excesso das causas produz efeitos contrários: a luz, quando é pouca, clareia, quando é demasiada, cega; o pouco barulho, ouve-se, o demasiado, ensurdece. As palavras acima não são minhas. Foram escritas pelo meu saudoso pai há 30 anos.

Decorrido um quarto de século, convidado a dar sua opinião acerca do problema da segurança pública no Brasil, o chefe de Polícia de Nova York, William Bratton, declarou: “O Judiciário não funciona. Os policiais não trabalham em harmonia com os promotores, que não atuam em conjunto com os juízes. A Polícia Militar não trabalha em consonância com a Civil”. Eis aí um cenário digno de reflexão.

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