Junho Vermelho: voluntários de Aracruz intensificam doação de sangue

A doação de sangue é um ato de solidariedade e que efetivamente salva vidas

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No último dia 15, membros do grupo Doadores Voluntários de Aracruz seguiram até o Hemocentro Regional de Linhares. Leidiany Soares de Oliveira, autora da selfie, disse que já doou sangue seis vezes e cada vez foi uma emoção diferente. Segundo ela, “não há palavras para descrever esse sentimento de amor”

Ato de solidariedade e que efetivamente salva vidas, a doação de sangue é reforçada este mês pela campanha Junho Vermelho. Em Aracruz, um grupo se mobiliza há cinco anos para ajudar a abastecer o estoque do Hemocentro do Espírito Santo (Hemoes). É o DOAR (Doadores Voluntários de Aracruz), que tem aproximadamente 230 membros cadastrados, o maior número no Estado.

Com a pandemia causada pelo novo coronavírus, as doações no Hemoes caíram significativamente. Diante da situação, o DOAR assumiu um papel de relevância: organizou – com as devidas medidas de proteção – quatro viagens com destino a hemocentros no período de 30 dias. A terceira viagem ocorreu no último dia 15, em parceria com o Hospital São Camilo e a empresa Cordial Transportes e Turismo. A quarta será na próxima segunda-feira 29, com todas as vagas preenchidas.

Em parceria com o Hospital São Camilo e a empresa Cordial Transportes e Turismo, membros do DOAR estiveram no Hemocentro Regional de Linhares no último dia 15. Foto: Divulgação/DOAR

De acordo com o coordenador do DOAR, Edmilson Dimi, no segundo semestre de 2020 a meta do grupo é organizar uma viagem por mês. A do mês de julho já está agendada: dia 07, também com todas as vagas preenchidas. “Realizar tantas campanhas no contexto de uma pandemia é acreditar definitivamente no coração voluntário do aracruzense. O grande desafio sempre é o transporte. Estamos priorizando ônibus para garantir maior espaçamento entre os doadores nas viagens”, enfatizou.

O DOAR surgiu depois que Dimi realizou uma doação de sangue em Aracruz através da unidade móvel do Hemoes. A partir dali, ele passou a convidar amigos para repetir o gesto e, em pouco tempo, tiveram início as viagens em grupo com destino aos hemocentros de Linhares ou Vitória.

No município da Serra, um grupo de doadores está seguindo os passos do DOAR. “Esse é o nosso grande objetivo: incentivar outras pessoas a aumentarem essa corrente do bem”, frisou o coordenador. Mais informações podem ser consultadas no perfil do grupo no Instagram (@doadoresvoluntarios). O telefone para contato, com WhatsApp, é (27) 99994-0998.

DEPOIMENTOS
“Já doei sangue em Aracruz através do ônibus itinerante, mas foi através do grupo DOAR que passei a ir até o Hemoes para realizar doações com mais frequência, podendo assim ajudar mais pessoas com este ato simples, porém relevante. Às vezes somos impedidos de doar, talvez por um remédio que tomamos ou por não estarmos bem, mas isso não pode servir de barreira para não tentar novamente a doação, porque o seu tipo de sangue é o tipo certo de alguém”.
ADNA KÉREN ARAÚJO SOARES, ESTUDANTE – DOADORA HÁ TRÊS ANOS

“Acredito no amor e na compaixão como uma força motriz capaz de tornar a sociedade mais feliz e humanizada. Às vezes nos apegamos a pequenas limitações para poder ajudar o próximo, mas um gesto simples como a doação de sangue é uma enorme demonstração de amor e compaixão pelo próximo. Para o doador não vai fazer nenhuma falta, mas para o receptor pode ser seu único lampejo de esperança. Cada coleta feita é capaz de alcançar até três pessoas, são pessoas que talvez você nunca cruzará, mas é seu sangue circulando em outro corpo, levando vida a quem precisa, cumprindo um propósito maior. Seu sangue foi feito para circular, doe sangue, doe vida”.
ANA PAULA DE ARAÚJO DOS SANTOS, ADVOGADA – DOADORA HÁ MAIS DE 10 ANOS

“Conheci a causa em 2018, através de um amigo que me convidou para fazer minha primeira doação de sangue. Foi a partir daí que pude perceber a importância deste ato. Primeiro porque todos os tipos sanguíneos são importantes para salvar vidas e segundo porque o meu sangue, do tipo O negativo (O-), é raro e possui uma especial utilidade. Ele é classificado como doador universal, portanto, todo indivíduo pode recebê-lo. Isso me inspirou e hoje a doação de sangue faz parte da minha vida. Inicio o meu ano sabendo que irei pelo menos quatro vezes ao hemocentro para doar ao meu próximo aquilo que Deus me deu em abundância, ou, o suficiente para que eu possa dividir um pouco com quem precisa. Sou grata por ser doadora. Meu desejo é que o Junho Vermelho traga consciência às pessoas do quanto doar sangue é importante, principalmente nessa situação de calamidade pública que estamos vivendo pela covid-19. A causa do próximo será sempre uma oportunidade de sermos solidários e ser solidário é uma causa que nunca pode cessar”.
SABRINE MATTIUZZI, ADVOGADA – DOADORA HÁ DOIS ANOS

“Com a intenção de fazer o bem a quem tanto precisa, o Lions Clube Aracruz é uma instituição de serviço voluntário que prima pela ajuda ao próximo de forma desinteressada. Sempre realiza campanhas de conscientização e doação de sangue. Em 2017, por exemplo, o Lions promoveu o ‘Mutirão Nacional de Saúde’ e trouxe a unidade de coleta do Hemoes para o município, tendo à população a oportunidade de manifestar o seu gesto caridoso de doação e ajuda ao próximo. Foram realizadas mais de 100 coletas na ocasião. Sabemos da importância de se manter um estoque de sangue nos hospitais para que qualquer pessoa independente de raça, religião ou escala social seja beneficiada gratuitamente com a doação. Nossos esforços se somam a vários outros deste mundo inteiro e, juntos, levamos o bem aos que mais necessitam”.
HÉLIO LOUREIRO MORO, PRESIDENTE DO LIONS CLUBE ARACRUZ

Cada bolsa de sangue doada pode salvar a vida de até quatro pessoas

Felipe Resende do Carmo. Foto: Divulgação/FHMSC

De acordo com o supervisor da agência transfusional do Hospital São Camilo, o biólogo hematologista Felipe Resende do Carmo, uma única doação de sangue pode salvar até quatro vidas. Ao reforçar que diante do cenário da pandemia os hemocentros enfrentam a escassez de doações, Felipe pede apoio às pessoas para que doem sangue sempre que puderem, e especialmente neste momento.

Podem doar sangue pessoas com idade entre 18 e 69 anos e que estejam pesando mais de 50 quilos. Jovens de 16 ou 17 anos também estão aptos, desde que tenham autorização dos pais ou dos responsáveis. Os homens podem doar quatro vezes por ano, com intervalo de 60 dias, e as mulheres, três vezes, em intervalos de 90 dias.

“A doação é totalmente segura e não apresenta nenhum risco. O importante é que o doador saiba das informações preliminares antes de fazê-la: estar em boas condições de saúde; não estar em jejum, mas com alimentação não gordurosa; ter dormido pelo menos 6 horas antes da doação e não ter ingerido bebidas alcoólicas nas 24 horas anteriores à doação”, destacou o biólogo hematologista.

Buscando evitar aglomerações, o Hemoes está agendando as coletas. No Hemocentro Regional de Linhares, que é a unidade a qual o Hospital São Camilo se reporta, o telefone para contato é (27) 3264-6000. A coleta do sangue é bem rápida: leva aproximadamente 10 minutos. Antes, o doador faz uma triagem e passa algumas informações de saúde para os servidores do local. É preciso apresentar documento oficial de identidade com foto.

Impedimentos temporários para doar sangue
Por conta do novo coronavírus, algumas medidas de precaução foram adotadas antes da coleta de sangue. O biólogo hematologista Felipe Resende do Carmo explica que se o doador esteve em contato com algum paciente que teve covid-19 ou apresentou sintomas, não poderá fazer a doação de sangue no período de no mínimo 14 dias. Já curados da doença, devem aguardar 30 dias. “Não se tem estudos que comprovem a transmissão da covid-19 por transfusão sanguínea”, acrescentou.

Outros impedimentos temporários
Gripe, resfriado e febre: aguardar sete dias após o desaparecimento dos sintomas;
Período gestacional;
Período pós-gravidez: 90 dias para o parto normal e 180 dias para cesariana;
Amamentação: até 12 meses após o parto;
Tatuagem e/ou piercing nos últimos 12 meses;
Extração dentária: 72 horas;
Apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes: três meses;
Colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem sequelas graves, tireoidectomia e colectomia: seis meses;
Transfusão de sangue: um ano;
Vacinação: o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina;
Exames/procedimentos com a utilização de endoscópio nos últimos seis meses;
Exposição à situação de risco acrescido para infecções sexualmente transmissíveis: aguardar 12 meses após a ter sido exposto.

Impedimentos definitivos
Doença de Chagas ou Malária;
Hepatite após os 11 anos de idade;
Ser portador dos vírus HIV (Aids), HCV (Hepatite C), HBC (Hepatite B), HTLV;
Uso de drogas injetáveis.

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