Impasse entre Suzano e prefeitura pode inviabilizar refinaria em Aracruz

O prefeito Jones Cavaglieri tinha a intenção de ceder o terreno onde seria construída a fábrica de papel da Carta Fabril à Companhia Brasileira Noxis Energy, mas a Suzano alega que a área fica muito perto das operações da fábrica, o que deixa a indústria de celulose com receio de alguma contaminação

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Foto Ilustrativa/Divulgação

Um impasse que se arrasta há meses entre a Suzano e a Prefeitura de Aracruz vem inviabilizando a implantação de uma refinaria de petróleo no município. O prefeito Jones Cavaglieri tinha a intenção de ceder o terreno onde seria construída a fábrica de papel da Carta Fabril à Companhia Brasileira Noxis Energy, mas a Suzano alega que a área fica muito perto das operações da fábrica, o que deixa a indústria de celulose com receio de alguma contaminação.

O grupo carioca Noxis Energy cobra, pelo menos duas vezes por semana, uma posição da Prefeitura de Aracruz sobre a área prometida para a instalação de uma refinaria de petróleo no município. Devido ao impasse, a prefeitura propôs que a Suzano cedesse uma de suas propriedades e, em troca, recebesse o espaço que seria doado à Noxis Energy.

Em resposta à FOLHA DO LITORAL, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Guerino Balestrassi, garantiu que está mantendo diálogo com a Suzano com o objetivo de realizar a troca de áreas. Balestrassi informou ainda que a negociação está avançada e em fase de avaliação das áreas. “A Suzano já apresentou uma possível área que fica entre o aeroporto e o viveiro, na rodovia ES-257. A prefeitura já encaminhou uma Carta de Intenção de troca à Suzano e, nos próximos dias, será encaminhado um Termo de Compromisso do município com a Noxis para que a refinaria possa dar início ao Projeto de Viabilidade (Master Plan)”, explica o secretário, esclarecendo ainda que a troca oficial deve demorar um pouco mais por causa dos trâmites legais do serviço público e ainda ser aprovado pela Câmara de Vereadores.

No ano passado o prefeito Cavaglieri reforçou que a proposta foi encaminhada à diretoria da Suzano, mas ainda não houve um retorno. O assunto é tratado, pelo menos, desde outubro do ano passado. “A negociação está emperrada. Estamos evitando briga com a Suzano, mas, se não houver uma resposta, vamos ceder a área que era para a Carta Fabril, pois não podemos correr o risco de perder um empreendimento da magnitude dessa refinaria”, afirmou Jones.

A Noxis tem planos de construir três refinarias no Brasil, primeiro em Sergipe, depois no Espírito Santo e no Maranhão. Em Aracruz, só será viabilizada a refinaria caso o primeiro projeto, em Sergipe, dê resultado positivo. Na capital sergipana, até o último mês de maio, o projeto permanece em fase de concorrência, definindo entre as construtoras pré-selecionadas. O projeto prevê minirrefinarias de bunker (combustível usado nos navios) com teor reduzido de enxofre para exportação.

Refinaria precisa de área de 30 hectares em Aracruz
O empreendimento da carioca Noxis requer uma área de 30 hectares, ou seja, 300 mil metros quadrados em Aracruz, o equivalente a 30 campos de futebol. O investimento com o empreendimento é superior a R$ 2 bilhões, com a criação de mil empregos nos três anos de obras e outros 120 diretos e 500 indiretos na operação.

A Noxis negocia com a Petrobras e o Governo do Estado para utilizar o porto da Transpetro e a ligação da ferrovia Vitória a Minas até o Portocel, o porto da Suzano. A ideia é que seja utilizado para produzir combustível na unidade o petróleo cru extraído em território capixaba. O produto será vendido depois para parte de Minas Gerais, transportado através de ferrovia, e também ao Sul da Bahia e ao próprio Espírito Santo.

A Noxis anunciou, no fim de 2018, a intenção de investir ao todo US$ 1,3 bilhão (R$ 5,22 bilhões) em cinco unidades com capacidade para 25 mil barris por dia cada. A maior parte da produção (35% a 40% do total) será de óleo bunker (usado também como combustível para navios), seguida de diesel (de 30% a 35%) e gasolina (de 20% a 25%).

Inicialmente, os planos eram construir uma das refinarias em São Mateus. As outras seriam em Barra dos Coqueiros (SE), Bacabeira (MA) e Santana (AP). O local do investimento no Espírito Santo, porém, mudou para Aracruz. A construção da primeira delas estava programada para começar neste ano, com início de operação comercial em 2021.

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