Identificações de logradouros contam a história de Aracruz

Para o levantamento foram consultados os livros "Faça-se Aracruz” (1997), do autor Maurilen Paulo Cruz, e "Uma História do Povo de Aracruz” (2006), do saudoso José Maria Coutinho

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Centro de Aracruz na década de 50. Foto: Arquivo/Folha do Litoral

Em Aracruz, Venâncio Flores identifica a principal via pública. Já João Ubaldo do Nascimento dá nome ao Terminal Rodoviário. Mas quem foram eles? Por trás dos nomes há fragmentos de histórias que remontam principalmente o desenvolvimento da atual sede do município, que teve início a partir do surgimento das cinco primeiras ruas: Venâncio Flores, Professor Lobo, Alegria, Ananias Netto e Quintino Loureiro. Para o levantamento foram consultados os livros “Faça-se Aracruz” (1997), do autor Maurilen Paulo Cruz, e “Uma História do Povo de Aracruz” (2006), do saudoso José Maria Coutinho.

Venâncio Pinto Flores – desbravador do sertão do então município de Santa Cruz, o coronel Venâncio fundou, em 1910, a Fazenda Sauaçu, origem do povoado de Sauaçu, hoje Aracruz. Devoto de São João Batista (padroeiro de Aracruz), ele faleceu em 1918, aos 72 anos. O ex-prefeito João Ubaldo do Nascimento, que dá nome ao atual Terminal Rodoviário, foi quem deu o nome do coronel para a principal avenida de Aracruz. Nosso Venâncio não tem nada a ver com o ex-presidente do Uruguai, Venâncio Flores Barrios, comandante das tropas do seu país durante a guerra do Paraguai e que lutou na guerra de libertação do Uruguai contra o império do Brasil (1825), no levante de Fructuoso Rivera (1836) e na guerra civil contra Manuel Oribe (1839-1851). Este nasceu em 18 de maio de 1808 em Trinidad, no Uruguai, e morreu em 19 de fevereiro de 1868, aos 59 anos, em Montevidéu.

José Alves da Costa – considerado o segundo morador de Aracruz, depois de Venâncio Flores, fundou, em 1926, a Primeira Igreja Batista, na rua que hoje tem o seu nome.

Lídio Martins Flores – décimo primeiro filho de Venâncio Flores. Foi prefeito de Aracruz por mandatos-tampão entre 1930, 1941 e 1947, além de vereador. Seu nome identifica a rua em frente à Primeira Igreja Presbiteriana, no centro.

José Marcos Rampinelli – considerado o sexto morador de Sauaçu, “Seu Bépi” participou, em 1939, da construção da primeira igreja católica no povoado de Sauaçu, no local onde hoje está a agência do Banco do Brasil. Dedicou-se a servir à Igreja Católica, principalmente sob a direção de Monsenhor Guilherme Schmitz. Seu nome identifica uma escola municipal no bairro Bela Vista.

Felisberto Modenesi – o quarto de oito irmãos, é filho de Giovanni Modenesi e Ana Morasutti. Ele e Luíza Testa Modenesi são os genitores dos Irmãos Modenesi, de Aracruz (Giovanni e José). Seu nome identifica a principal rua do bairro Bela Vista.

Padre Luiz Gonzaga Parenzi – celebrou missas e concedeu assistência religiosa a Sauaçu no período de 1923 a 1925; entre 1928 e 1935 e em 1941. Seu nome identifica a rua entre a Igreja Matriz da Paróquia São João Batista e a Praça Monsenhor Guilherme Schmitz.

Luiz Theodoro Musso – pai do ex-prefeito e ex-deputado estadual Heraldo Barbosa Musso, e bisavô do deputado estadual Erick Cabral Musso, presidente da Assembleia, Seu Lulu, como era conhecido, iniciou a carreira política como prefeito de Aracruz em 1948. No cargo até 1950, teve a gestão marcada pela transferência da sede do município de Santa Cruz para o povoado de Sauaçu, hoje Aracruz. Ele também foi vereador entre 1955 e 1959, além de delegado de polícia no período de 1964 a 1972. Vítima de enfarte, faleceu em dezembro de 1973, aos 75 anos. Seu nome identifica a rodovia ES-257, no perímetro urbano de Aracruz.

João Ubaldo do Nascimento – eleito prefeito de Aracruz em 1950 para um mandato de cinco anos (1951 a 1955), em substituição a Luiz Theodoro Musso, só tomou posse em 08 de fevereiro de 1953. O motivo: o resultado da eleição ficou sub-judice em virtude de terem votado duas moradoras de Barra do Riacho com o nome de Jandira Martins Cordeiro. Seu concorrente nas urnas, Landerico Ferreira Lamêgo, recorreu do resultado e a Justiça o suspendeu. Em sua gestão, João preocupou-se com serviços e obras da educação. Seu nome identifica o Terminal Rodoviário da cidade.

Quintino Loureiro – lançador da semente do patrimônio que a família Loureiro tem na localidade de Mucuratá, na região de Santa Rosa, Quintino também foi vereador do município de Santa Cruz. Seu nome identifica a rua em frente à agência dos Correios, no centro.

Professor Antônio da Rocha Lobo – primeiro benfeitor de Barra do Riacho. Socorria os necessitados com alimentos e remédios, além de ajudar os pescadores carentes fabricando redes e embarcações. Sua generosidade lhe granjeou a alcunha de “Papai Lobo”. Muito interessado na leitura, acabou tornando-se professor autodidata e após prestar um exame no Departamento de Educação do Estado, tornou-se “mestre-escola” (título que se dava na época aos professores de escolas unidocentes), tendo exercido o magistério por 14 anos (1881 a 1894). Professor Lobo faleceu em julho de 1935, aos 75 anos. Seu nome identifica a rua do antigo calçadão, no centro, a chamada rua da Câmara.

Misael Pinto Netto – nascido em Vila do Riacho em 1878, foi aluno do Professor Lobo. Começou a lecionar para netos de imigrantes italianos na localidade de Córrego Fundo, em 1914. Ainda foi o primeiro professor do povoado de Sauaçu. Lecionou também em Guaraná e Acioli (João Neiva), onde morreu em 1924, de derrame cerebral, aos 46 anos. Um de seus alunos foi o ex-prefeito Luiz Theodoro Musso. Por sua obra em favor da educação, Misael é, hoje, o nome da mais tradicional escola da sede, tendo sido criada Grupo Escolar “Misael Pinto Netto”, atualmente EEEM (Escola Estadual de Ensino Médio) “Misael Pinto Netto”.

Ananias dos Santos Netto – também aluno do Professor Lobo na década de 80, como o irmão Misael Pinto Netto, exerceu o magistério. Lecionou por 23 anos em Vila do Riacho, onde nasceu. Seu nome identifica a rua em frente à agência do Bradesco.

Zilca Nunes Vieira Bermudes – mulher de espírito acolhedor e solidário, dona Zizi fundou, em 1972, a Associação Santa Rita de Cássia, para auxiliar a população carente. Seu ideal era ampliar a ajuda que oferecia aos necessitados. Vítima de uma doença incurável, Zilca Bermudes faleceu em 1974, aos 47 anos. Seu nome identifica, além de uma escola municipal no bairro Vila Nova e uma rua do bairro Bela Vista, a Clínica Médica Climezi, da família do terceiro dos cinco filhos, o médico ginecologista e obstetra Dr. Cleveraldo José Bermudes.

Rua da Alegria – simpáticos e cordiais, os primeiros moradores do logradouro eram donos de uma contagiante alegria, que acabou dando nome ao local. À noite eles cantavam e dançavam, celebrando a vida. A via liga a rua José Alves da Costa à rua Epifânio Pontin, no centro.

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