Ibiraçu é destaque na produção de peças de cerâmica de alta qualidade

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Contando com parcerias do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidores do Espírito Santo (Sincades), Prefeitura de Ibiraçu e Associação Amigos da Justiça, o Mosteiro Zen Morro da Vargem, em Ibiraçu, implantou o projeto de Formação em Cerâmica, voltado para idosos e moradores de famílias de baixa renda que vivem próximos à região, com o objetivo de proporcionar renda com a venda de peças artesanais de cerâmica de alta qualidade, desenvolvimento de ações para um envelhecimento saudável, evolução da autonomia, sociabilidade, fortalecimento de vínculos familiares e convívio comunitário.

A Escola Oficina de Cerâmica Kanzeon funciona na Praça Torii, ao lado da estátua gigante de Buda, que já se transformou em ponto turístico no Estado e onde os visitantes podem adquirir as peças produzidas na lojinha anexa. O abade Daiju Bitti, prior do Mosteiro, informou à reportagem da revista DESEJO, na segunda-feira 30, que está em estudo a construção de uma lanchonete e um restaurante e de uma área para piqueniques no local. São quase 30 mil pessoas que circulam anualmente pelo Mosteiro Zen Morro da Vargem e também aquelas que peregrinam pelo circuito Caminhos da Sabedoria.

O restaurante será terceirizado, com o pessoal sendo treinado pelos monges, já que terá, obrigatoriamente, três pratos japoneses no cardápio, no mínimo. “O local tem que ser caracterizado com motivos e construção no estilo do Japão”, disse, acrescentando que a argila, adquirida atualmente em São Paulo, está com amostras da região sendo analisadas.

Daiju Bitti explicou que “os interessados na lanchonete e restaurante são os comerciantes locais. Colocamos um arquiteto à disposição para não sair do projeto da Praça Oriental. Estamos fazendo um local para lazer das famílias, piqueniques e encontros. Destaco ainda a abertura de cursos para as mulheres da sociedade, de três dias, mas para elas não será de graça e terão direito a argila, esmalte, professor e ainda podendo ficar com as peças produzidas. Como o professor é conhecido, convido as pessoas para conhecer e valorizar o que é da terra, o que está sendo feito aqui, e as prefeituras da região podem colocar pessoas aqui, criando bancos de desenvolvimento nos quais poderão produzir as peças em suas cidades. A produção e pratos em cerâmica já atraem o interesse de chefes de cozinha do Brasil”.

Continuando, o abade disse que “demorou 12 anos para o projeto sair, e saiu com os apoios. São dois fornos a gás, equipados, com valores de R$ 70 mil e R$ 200 mil, com até 1.300 graus centígrados de calor. Uma panela de barro resiste a 400 graus, e aqui viraria pó. A primeira queima se chama biscoito e parte da argila nas peças tem que aparecer. Seca antes da primeira queima, e para a argila aparecer necessita de cera, e vai para outra queima, depois a esmaltação e novamente para o forno de 1.300 graus. São peças como xícaras e pires, saboneteiras, travessas, pratos, tigelas, vasos de plantas etc. Estamos sempre procurando modelos e design que o mercado absorve bem, entre elas a TOK & STOK, pois as empresas querem apoiar projetos oriundos de baixa renda, mas ainda não temos capacidade de produção para atender a demanda. Uma peça que aqui custa R$ 40,00, em São Paulo vai para R$ 70,00. As travessas e pratos resistem a altas temperaturas e podem ser levadas ao forno e ao micro-ondas. Recebemos encomendas recentes, de 100 a 200 pratos, de proprietários de restaurantes em Aracruz e Guarapari”.

Foto: divulgação

Professor veio da Bahia para desenvolver o projeto

Professor Márcio de Moura Nogueira, Kendo Bitti (futuro prior do Mosteiro) e Taehara Sensei (do Japão)

Natural do Rio de Janeiro, o professor Márcio de Moura Nogueira não pensou duas vezes para deixar o seu atelier na Bahia e vir para Ibiraçu ao conhecer o projeto da Escola de Cerâmica. “Quando conheci o projeto me identifiquei muito com a ideia e tive a intenção de ficar. É compensador, o trabalho é bom, deu certo, estou conhecendo mais as pessoas da cidade. Os fornos são muito grandes e com a renovação dos alunos e aumento das turmas, são dois turnos, com 10 alunos em cada, de Pedro Palácios, Guatemala e Ibiraçu, a produção pode ser ampliada, com mais capacidade de peças. Quem compra são os restaurantes, lojas, pessoas e estamos trabalhando para ampliar no futuro e atender as grandes demandas. Estamos na fase de elaboração de carimbos, embalagens e de todo o catálogo e nos preparando para atender grandes demandas”, destacou.

Utilizando técnicas milenares da cerâmica japonesa de alta temperatura, o projeto da escola de Ibiraçu tem como objetivo profissionalizar e gerar renda à população das comunidades do seu entorno. O propósito da iniciativa é criar, futuramente, um polo de cerâmica de alta qualidade abrangendo os municípios de Ibiraçu, Aracruz, Fundão e João Neiva.

Com o intuito de enriquecer a formação dos alunos, também são realizados workshops, oficinas, palestras e intercâmbios. Esta é a primeira escola na América do Sul que proporciona esse tipo de curso, o que é um privilégio para as pessoas que vivem em Ibiraçu e entorno.

Valdirene Ramada Gavazza
Alda de Souza – 85 anos
Eliane Mantovanni

A Cerâmica e o Zen

No Japão, o ato de beber o chá foi aos poucos transformado numa forma de arte que incorporava a estética Zen. O mestre Sen no Rikyū (1522-1591) pediu ao ceramista Chojiro (1516-1592) que criasse tigelas de chá que personificassem seus ideais de beleza natural. As tigelas de Chojiro receberam a aprovação do líder samurai Toyotomi Hideyoshi (1536-1598), que apelidou Chojiro de “Raku”, o qual acabou estampado nas tigelas. As cerâmicas Raku eram feitas à mão com argila, queimadas individualmente em altas temperaturas e logo depois esfriadas. O esmaltado escuro e grosso ressalta a cor verde do chá e a forma irregular da tigela confere um prazer tátil ao usuário. Os descendentes de Chojiro continuam a fazer as cerâmicas Raku até hoje.

 

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