Governador Renato Casagrande: ‘Bolsonaro vai fazer com que muita gente não se vacine’

Renato Casagrande prevê um "verão desesperador" por causa da covid-19

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"A negação à ciência pode atrapalhar o plano de imunizar os brasileiros. A posição do presidente vai fazer com que muita gente não se vacine. Essa negação à ciência pode causar mais demora para que o país atinja a imunidade de rebanho. Isso é uma preocupação a mais que temos"

Renato Casagrande, governador do Espírito Santo, se reuniu ontem com Jair Bolsonaro e saiu deixando claro que discorda da posição do presidente sobre a vacinação obrigatória contra a covid-19 – o presidente é contrário à obrigatoriedade. Na opinião de Casagrande, o posicionamento de Bolsonaro pode prejudicar os brasileiros. A posição do governador capixaba é destaque no site UOL.

A negação à ciência pode atrapalhar o plano de imunizar os brasileiros. A posição do presidente vai fazer com que muita gente não se vacine. Essa negação à ciência pode causar mais demora para que o país atinja a imunidade de rebanho. Isso é uma preocupação a mais que temos“, disse Casagrande à coluna de Bela Megale, no jornal O Globo.

O governador do Espírito Santo disse que “a maioria dos governadores não quer briga“, mas todos desejam uma solução para a pandemia, pois a previsão dele é de um “verão desesperador“. Bolsonaro, que teve comportamento negacionista durante toda a pandemia do novo coronavírus, agora tem lançado dúvidas sobre a vacina. Ontem 14, ele destacou possíveis efeitos colaterais dos imunizantes e disse que quem quiser ser vacinado terá que assinar um termo de responsabilidade. Ao mesmo tempo, porém, afirmou que assinará uma Medida Provisória de R$ 20 bilhões para compras de quaisquer vacinas.

A postura do presidente preocupa os governadores, porque qualquer vacina precisa de uma cobertura mínima para fazer efeito. Um estudo publicado em agosto indica que, se um imunizante contra o coronavírus tiver eficácia de 80%, ele precisa ser aplicado em pelo menos 75% da população para acabar com a pandemia.

Se essa adesão mínima não for atingida, o vírus continua circulando, infectando pessoas, deixando sequelas e, em alguns casos, causando mortes. O sarampo, por exemplo, havia sido erradicado nas Américas em 2016, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), mas voltou a ser alvo de preocupação em 2018, após dois surtos da doença no Brasil e redução de presença nas vacinações.

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