Governador deve decretar lockdown no Estado na próxima semana

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O governador Renato Casagrande anunciou as medidas durante coletiva de imprensa na quarta-feira 10. Foto: Reprodução

Caso seja decretado o lockdown no Espírito Santo a economia será, mais uma vez, a grande prejudicada. Se o governador Renato Casagrande adotar mesmo as medidas de risco extremo anunciadas na quarta-feira 10, se chegar a 91% de ocupação dos leitos de UTI, será proibida a circulação de pessoas de 21h às 5h e multa para quem frequentar praias e parques.

Supermercados, padarias e postos de combustíveis só vão poder funcionar de segunda a sexta-feira, de 7h às 19h e com metade dos clientes que frequentam nesse período. Haverá rodízio também das pessoas que não estão em isolamento: uma parte poderá sair nos dias pares, e a outra, em dias ímpares, conforme o número final do CPF. Se forem adotadas, as medidas vão vigorar durante 14 dias, prazo adotado pelos especialistas como ciclo da doença.

Casagrande revelou que nesta semana e na semana que vem a previsão é que “os 36 municípios em risco alto permaneçam dessa forma, assim como os 42 de risco moderado. Se não chegarmos a 90% dos leitos ocupados de UTI, a matriz deve se manter no estágio atual na semana que vem. Caso passe de 90%, os municípios em risco alto devem ir para risco extremo. Espero que a gente não chegue, mas temos que validar as medidas”, disse, referindo-se às regras a serem adotadas se o limite de leitos ocupados for ultrapassado.

As principais medidas anunciadas pelo governador
PROIBIÇÃO DE CIRCULAÇÃO
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Alexandre Cerqueira, apresentou as medidas de risco extremo. A proibição da circulação das pessoas nas ruas será de 21h às 5h, exceto para atividades essenciais. Os trabalhadores de atividades essenciais terão uma espécie de “carimbo” para atestar que podem circular. Em alguns casos será preciso acessar um site que está sendo elaborado pelo governo para conseguir essa autorização. O plano prevê ainda multa para o cidadão que circular sem máscara ou fora do horário permitido e proíbe que as pessoas frequentem espaços públicos, como praias e parques. O valor da multa ainda será definido. Pelas regras disponíveis atualmente, ela giraria entre R$ 5 mil e R$ 6 mil. Mas esses valores foram considerados altos e serão reavaliados.

RODÍZIO POR CPF
Também está previsto rodízio para as pessoas que por algum motivo tiverem que sair de casa (para ir ao supermercado, por exemplo). Será adotado um rodízio baseado no número do CPF. Os que tiverem documento terminado em número par saem em dias pares, CPF com final ímpar dará à pessoa o direito de sair em dias ímpares. Isso é para evitar que as pessoas saiam nas ruas ao mesmo tempo e evitar aglomeração. Em compras em supermercados, por exemplo, o cliente terá que informar o CPF.

ATIVIDADES COMERCIAIS
O número de pessoas permitido nos supermercados será reduzido pela metade nos supermercados e padarias. A presença de clientes será limitada a um a cada 20 metros quadrados, atualmente essa proporção é de um cliente a cada 10 metros quadrados. Supermercados, postos de combustíveis e outros estabelecimentos essenciais devem funcionar somente de segunda a sexta-feira, de 7h às 19h. Aos finais de semana funcionarão somente serviços de saúde e de farmácia. Os restaurantes ficam autorizados a funcionar apenas para delivery.

Deputados opinam sobre possibilidade de lockdown
O provável fechamento de todos os serviços não essenciais e da limitação da circulação de pessoas no Espírito Santo, o chamado lockdown, possibilidade anunciada pelo governador Renato Casagrande, foi tema de discussão virtual pelos deputados estaduais. Torino Marques lamentou uma suposta movimentação de membros do Ministério Público com o intuito de forçar a decretação de lockdown pelo Estado e pelos municípios, argumentando que “não tem sentido fechar mais do que já está fechado”.

Vandinho Leite disse que “se houvesse um programa de renda mínima as pessoas não teriam necessidade de sair para trabalhar e que o lockdown deveria ser avisado com antecedência para as pessoas se prepararem. Não podem ser pegas de surpresa”. Alexandre Xambinho destacou que parte da população não estava cumprindo as medidas de isolamento e distanciamento social, o que atrapalhava as ações do Poder Público. “Se o governo decretar o lockdown será por responsabilidade e compromisso com a vida e não para quebrar o comércio, mas responsabilidade com a saúde dos capixabas”, garantiu.

Adilson Espíndula falou que o Estado estava ampliando a quantidade de leitos de enfermaria e UTI e divulgava os números da doença com transparência para manter a sociedade bem informada, mas que todo o esforço seria em vão se a população não ajudasse. Bruno Lamas argumentou que era complicado liderar as ações em meio a uma crise sanitária quando o ministro da Saúde em exercício era uma general com formação na área de logística.

Iriny Lopes disse que “é hora de o Estado pensar na implementação do lockdown para cortar a correia de transmissão do vírus. O que precisa ficar aberto é supermercado, farmácia, coisas de primeira necessidade”. Rafael Favatto apontou que tanto o sistema de saúde quanto o privado estavam com dificuldades para adquirir equipamentos de proteção individual (EPIs) para fornecer aos profissionais da saúde. “Se chegar num patamar que precisa fechar tem que fechar porque a gente precisa proteger a população e os profissionais de saúde”, reforçou.

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