Fundão partidário é mais um dos muitos absurdos do período eleitoral

Por Antonio Tuccilio, presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

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Uma das notícias que mais me causou tristeza e espanto nos últimos dias foi a de que o Brasil voltou para o mapa da fome. Cerca de 33 bilhões de pessoas não têm o que comer no país. E, mesmo assim, o fundo eleitoral é um dos maiores de toda a história. São R$ 4,9 bilhões! Enquanto os candidatos esbanjam suas elaboradas campanhas feitas com todo esse dinheiro, as pessoas morrem de fome. Onde está o bom senso e a empatia?

Isso é uma afronta para o povo brasileiro. Esse dinheiro é nosso. As 33 milhões de pessoas dormem de barriga vazia, mas os políticos (uns poucos estão fora disso) estão mais do que prontos para entregar suas promessas vazias em campanhas, alegando que conseguem resolver todos os problemas existentes.

Para quem não conhece o ‘Fundão Eleitoral’ em detalhes, ele é dividido entre os partidos, mas não é uma divisão igualitária. Por exemplo, o União Brasil receberá R$ 782,5 milhões, seguido do Partido dos Trabalhadores, que embolsará R$ 503,4 milhões. Gostaria de compartilhar detalhes de como todo esse dinheiro pode ser gasto. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos à presidência terão R$ 132 milhões a disposição para a campanha.

Já os deputados, os limites de gastos subiram para R$ 3,1 milhões nessa eleição. Os estaduais possuem um valor mais “modesto”: R$ 1,6 milhão. Em São Paulo, os candidatos ao Senado terão o limite de gastos de R$ 7 milhões. Para governadores, R$ 26,5 milhões logo no primeiro turno e R$ 13,2 milhões no segundo.

Lembro que 30% do valor do Fundo é destinado para candidaturas femininas. Isso é um reflexo da Emenda Constitucional 117, de abril deste ano, determinando que os partidos políticos direcionem, no mínimo, 30% de seu Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e seu tempo de propaganda eleitoral em rádio e TV às suas candidatas. Candidaturas a deputados federais homens terão 29,41% da cota total, que é de R$ 499,6 milhões.

Sabemos que, com a inflação, os custos aumentaram – inclusive o valor para realizar as campanhas eleitorais. Agora, quase R$ 5 bilhões destinados somente para essa finalidade? É um completo absurdo. Esse valor poderia alimentar milhões de famílias durante muito tempo. Ao invés disso, financiará mais promessas vazias, em sua maioria.

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