Fora da caixa

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Não faz muito tempo li que somente no ano de 2020 nada menos que 5.500 fábricas encerraram suas atividades neste país. Segundo dados colhidos pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, foram 36.600 entre 2015 e 2020 – quase vinte por dia. Sim, vinte fábricas fechando por dia ao longo de cinco anos!

Segundo consta, nos idos de 1985 a indústria contribuía com 48% de participação no PIB. Em 2019, segundo dados colhidos pela Confederação Nacional da Indústria, este percentual caiu para magros 21,4%.

Alguém diria que o denominado “agronegócio” cresceu e alavancará o nosso desenvolvimento. Será? Parece incrível, mas vergonhosamente empresas estrangeiras já são responsáveis por 70% de nossas exportações de soja, 15% das de laranja, 13% de frango, 6,5% de açúcar e álcool e 30% das de café! Isto já sangra o Brasil em mais de US$ 12 bilhões a cada ano só a título de remessa de lucros.

Resta-nos, assim, ao final das contas, pouco mais que o extrativismo puro e simples. Mas será este suficiente para o nosso desenvolvimento pleno? Aliás, tem sido ao longo dos últimos séculos? Não.

Enquanto isso espreita-nos uma absurda dívida pública. Li que gastamos entre 30% e 40% de todos os tributos arrecadados somente para o pagamento de juros – situados dentre os mais altos do mundo.

Como resolvermos isso? Já alienamos o melhor do nosso patrimônio público. A carga tributária é insuportável. Criamos uma sociedade amarga e conflituosa por conta da brutal gama de sacrifícios impostos ao povo. Perdoando pela expressão crua, “mais do mesmo não adianta”.

Não percamos, porém, a esperança. Somos um país riquíssimo – que pode perfeitamente comportar alguma solução “fora da caixa”. O ouro de Serra Pelada, por exemplo, e só ele, recolocaria o Brasil “nos trilhos”. Trata-se de um patrimônio do povo brasileiro, disponível praticamente a céu aberto. Propriedade da União – que, considerado o interesse nacional, deveria tê-lo extraído diretamente e convertido em progresso. Cadê ele, aliás?

Temos outras “Serras Peladas”. Muitas delas. Todas aguardando não doações, digo, privatizações, ou entrega a garimpeiros anônimos, mas sim aquele uso responsável que, ao nos livrar da crise que nossa geração criou, permitirá à próxima dar um basta ao extrativismo que nos envergonha.

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