Ficando assim

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Nosso povo, sob pesados sacrifícios, construiu aeroportos de tamanho e complexidade consideráveis – para entregá-los à administração de estrangeiros. Desconheço qual empresa brasileira está a administrar a infraestrutura aérea de outros países.

Os brasileiros, suportando brutal carga de tributos, tornaram possível a construção de imensos portos – que vão sendo, paulatinamente, entregues à exploração de estrangeiros. Não conheço o nome de sequer um grupo brasileiro que esteja explorando portos nos mais ricos países do mundo.

Nós arrancamos das entranhas do solo um dos melhores minérios de ferro do planeta – uma riqueza não-renovável. Arcamos com todos os danos ambientais e humanos desta atividade – que o digam as crianças de Vitória, expostas a um pó preto que lhes prejudica gravemente a saúde. Aí exportamos tudo a preço de banana e importamos os produtos acabados a peso de ouro.

Nosso espírito empreendedor criou empresas maravilhosas, do agronegócio à produção de veículos, da hotelaria aos transportes etc. – para em seguida, por falta de apoio, vermos a maioria delas vendida a grupos estrangeiros.

A criatividade dos brasileiros já produziu resultados únicos. Porém, por conta das dificuldades burocráticas impostas aos nossos inventores e da falta de suporte nacional, a maior parte dos nossos inventos acaba assimilada impunemente por empresas estrangeiras.

Nosso agronegócio é fabuloso – mas importamos café de países que não têm um cafezal sequer! Chocolate de quem não tem um pé de cacau que seja. Compramos de estrangeiros o leite de nossas próprias vacas. Biscoitos feitos com nosso próprio trigo. Sucos produzidos a partir de nossas frutas.

Nossa gente, afeita ao trabalho, suporta longas jornadas transportando alimentos e pessoas de um lado para o outro em nossas maiores cidades – no mais das vezes, porém, sob a administração de empresas estrangeiras condignamente remuneradas. Será que há alguma empresa nacional gerenciando atividade similar no Hemisfério Norte?

Fique muito claro que sou contra o isolamento e o protecionismo cego. Muito pelo contrário. Declaro-me um defensor radical da integração com outros países. Sou, inclusive, autor de livros a respeito do tema. Mas não me conformo em ver nosso povo, tão notável, ficar assim. Desse jeito. Com essa cara.

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