Em sete anos de pedágio, Eco101 duplicou apenas 9% da BR-101

Contando com mais 6 quilômetros que serão liberados neste semestre, serão 47,3 quilômetros de pistas duplicadas até o final do ano

0
52
Nesta semana foram inaugurados um trecho de 9 quilômetros da rodovia e dois viadutos, em Guarapari. Foto: Divulgação/ECO101

A Concessionária Eco101, que cobra pedágio há seis anos e quatro meses na rodovia BR-101, continua longe de cumprir o que foi acordado no contrato de concessão, assinado com a ANTT em maio de 2013. No período, foram duplicados apenas 9% do trecho de 475,9 km, e dos 197 km previstos no contrato para conclusão neste ano, somente 41,3 km (21%) foram duplicados.

Dentro do cronograma de obras e investimentos da Concessionária, foram entregues, até o momento, os trechos duplicados entre Viana e Guarapari (24 km), Anchieta (2,5 km), Ibiraçu (4,5 km), João Neiva (2,5 km) e o Contorno de Iconha (7,8 km). Contando com mais 6 quilômetros que serão liberados neste semestre, serão 47,3 quilômetros de pistas duplicadas até o final do ano.

Mesmo com menos de 10% de duplicação em quase sete anos, a Eco101 continua faturando nas sete praças de pedágio. De 18 de maio de 2014 a 31 de agosto de 2020 (seis anos e três meses – 2.296 dias), 158.614.022 veículos diversos pagaram pedágio na BR-101, média de 69.083 veículos/dia, ou 2.878 veículos/hora ou 48 veículos/minuto, segundo os dados divulgados no site da Concessionária, contendo as estatísticas de tráfego pago. A FOLHA DO LITORAL é o único jornal capixaba que divulga mês a mês as tabelas de estatísticas do tráfego pago na BR-101.

2.296 dias de cobrança (18/05/2014 a 31/07/2020)
2014 (18/05 a 31/12 – 227 dias): 16.684.170 veículos
2015 (365 dias): 25.960.951 veículos
2016 (366 dias): 24.301.869 veículos
2017 (365 dias): 24.527.340 veículos
2018 (365 dias): 25.101.761 veículos
2019 (365 dias): 25.891.744 veículos
2020 (243 dias): 16.146.187 veículos

Total em 2.296 dias: 158.614.022 veículos
69.083 veículos/dia
2.878 veículos/hora
48 veículos/minuto

Reajuste do pedágio continua sem prazo

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que está analisando as ações realizadas pela Concessionária Eco101, responsável pela administração e pela obra de duplicação da rodovia BR-101. Ainda não há previsão de quando será definido o reajuste das tarifas de pedágio, segundo informou em Guarapari, no evento de inauguração de dois viadutos e de parte da duplicação, o diretor da ANTT, Alexandre Porto. Segundo ele, a ANTT está analisando o atraso nas obras de duplicação no Estado, já que a Eco101, em sete anos, entregou somente 40 dos 475,9 quilômetros. Há até previsão de rescisão contratual da concessão.

Licenciamento do trecho Norte

Em relação à duplicação do trecho Norte da rodovia, até agora sem licenciamento ambiental por impactar a reserva biológica de Sooretama, a Eco 101 informou que aguarda a definição das diretrizes e condicionantes para produzir e apresentar um cronograma de trabalho. O impasse sobre o que fazer com os 23 quilômetros situados na área de abrangência da reserva está sendo discutido entre técnicos da ANTT, Ibama e Ministério da Infraestrutura, com previsão de ter uma definição até o final este ano. O problema impede o início das obras de duplicação entre os municípios de Pedro Canário e Serra. Em julho, o diretor de licenciamento ambiental do Ibama, Jônatas Souza Trindade, garantiu que os 23 quilômetros na área de Sooretama não serão duplicados, mas que está em análise a autorização para as obras no restante do trecho.

Alternativas para Sooretama

A Eco101 já apresentou à ANTT a sugestão de fazer o contorno da reserva, mas o órgão federal rejeitou a proposta, considerando ser bastante “ilógica” por representar aumento de pedágio. A concessionária entregou projetos de seis alternativas para avaliação a ANTT, com duas delas mudando o traçado original da rodovia, dando a volta na área verde ou contornando pelo litoral, sendo este último o de maior percurso. O menor deles, segundo o projeto, aumentaria o trajeto em 60 quilômetros (uma distância entre Linhares e Ibiraçu). Outras alternativas preveem um elevado ou a duplicação de apenas um lado ou outro do trecho que corta a reserva.

PUBLICIDADE

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui