Eco101 rejeita contorno para proteger reserva de Sooretama e quer deixar 25 km sem duplicação

O licenciamento ambiental foi solicitado ao Ibama em abril de 2014, mas até o momento nem a Licença Prévia (LP) foi concedida

0
16
A BR-101 corta a Reserva Biológica (ReBio) de Sooretama. Foto: Danilo Salvadeo

Enquanto o Ibama é pressionado pelo Ministério Público Federal, ANTT e Assembleia Legislativa para justificar e sanar a demora na análise do licenciamento ambiental do Trecho Norte da BR-101, devido ao impasse da reserva biológica de Sooretama, a Concessionária Eco101 alega que o contrato não prevê contorno da Rebio e sugeriu retirar da duplicação o trecho de 25 km que atravessa a maior área de biodiversidade do país (reservas de Sooretama e Vale).

Com 27 mil hectares de floresta primária, abrigo de imensa biodiversidade, incluindo animais de grande porte não mais encontrados em outras unidades de conservação de proteção integral do Estado, como onças-pintadas e harpias, a Rebio Sooretama é a maior unidade de conservação em solo capixaba e forma, junto com a contígua Reserva da Vale, um maciço de 50 mil hectares, o maior remanescente de Mata Atlântica de Tabuleiro do país.

O licenciamento ambiental foi solicitado ao Ibama em abril de 2014, mas até o momento nem a Licença Prévia (LP) foi concedida, mesmo após inúmeras idas e vindas de documentos, em que o órgão federal afirma a impossibilidade de duplicar o trecho ambientalmente sensível da rodovia, sendo recomendado um contorno por fora da reserva e sua zona de amortecimento.

A empresa, por sua vez, com apoio da ANTT, afirma a impossibilidade de fazer o contorno, que demandaria, no melhor dos traçados previstos, 21 km a mais de estrada em relação ao projeto original, ao custo de R$ 15 milhões por quilômetro, e sugeriu duplicar o restante da rodovia, sem os 25 km dentro da área protegida, que não devem ser liberados pelo ICMBio.

“Nossa proposta é a supressão de duplicação nos 25 km que englobam a Rebio de Sooretama e sua zona de amortecimento. Um contorno dessa magnitude foge totalmente ao contrato”, afirmou o diretor-presidente do grupo Eco Rodovias, Alberto Lodi, sendo seguido pelo diretor-superintendente da Eco101, Eduardo Auchewski Xisto.

PUBLICIDADE