Analista do Ibama acusa Eco101 de não apresentar projeto do contorno de Sooretama para continuar cobrando pedágio sem fazer obras de duplicação

Segundo afirmou Antônio Borges, da área de licenciamento ambiental do Ibama, a Eco101 apresentou os projetos dos contornos de Fundão, Ibiraçu e Linhares dentro do prazo, mas ignora o contorno da Rebio de Sooretama, cujo prazo para apresentação do projeto expira hoje 30

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A reserva biológica de Sooretama é o entrave no Trecho Norte. Foto: Danilo Salvadeo

A “caixa preta” do licenciamento ambiental para as obras de duplicação do Trecho Norte da rodovia BR-101 foi aberta ontem 29 na Assembleia Legislativa, durante a reunião da Comissão de Fiscalização do contrato de concessão da Eco 101, quando o analista ambiental do Ibama, Antônio Borges, declarou que “a concessionária não apresenta o projeto do Contorno da Reserva de Sooretama e se aproveita da falta de licenciamento ambiental no Trecho Norte, devido a este impasse, para continuar cobrando pedágio e não duplicar a rodovia BR-101”.

Segundo afirmou Borges, a Eco101 apresentou os projetos dos contornos de Fundão, Ibiraçu e Linhares dentro do prazo, mas ignora o contorno da Rebio de Sooretama, cujo prazo para apresentação do projeto expira hoje 30. “É cômodo para a concessionária culpar o Ibama e não apresentar estudos consistentes para Sooretama. A Eco101 apresentou, de propósito, uma alternativa para o desvio da Rebio, já sabendo do problema de proibição da duplicação, ficando em posição confortável, cobrando pedágio e não duplicando o trecho”, acusou Borges.

Questionado pelo deputado Fabrício Gandini, presidente da Comissão, Antônio Borges explicou que “o prazo de conclusão das obras para a duplicação do Trecho Norte conta a partir de cinco anos após a emissão da licença ambiental, mas a Eco101 vai se aproveitando, não apresenta projeto consistente de contorno, empurra com a barriga e vai cobrando pedágio. Na minha opinião, esta cobrança já deveria estar suspensa”. Gandini retrucou, explicando que a falta da licença acaba sendo um prêmio para a Eco101.

Marcos Bruno, também da diretoria do Ibama, disse que “de 5% a 10% do Trecho Norte pôde ser duplicado sem licenciamento, mas a Eco101 só duplicou trechos em retas e próximos às praças de pedágio”. Antônio Borges argumentou que “a duplicação dentro da reserva de Sooretama implicaria em sérios impactos à maior floresta em biodiversidade do Brasil, aumentaria os acidentes e provocaria mortandade de animais por atropelamentos”.

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