Eco101 continua ignorando contrato e não duplica BR-101 entre Linhares e Itapemirim

Nos quase sete anos de concessão, 175 milhões de veículos já pagaram pedágio

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Falta de duplicação contribui para acidentes, como este, em Rio Novo do Sul, que deixou a BR-101 interditada por mais de 24 horas, nesta semana. Foto: Grupo Maçônico Bodes do Asfalto

Trecho com alto índice de acidentes com mortes, o trajeto da rodovia BR-101 entre Linhares e Itapemirim continua sem duplicação a um mês de completar sete anos de cobrança de pedágio e descumprimento, pela Concessionária Eco101, do item 3.3.1 do contrato de concessão assinado em 2013 com a ANTT, que prevê a duplicação imediata de trechos que atinjam o Volume Diário Médio Anual (VDMA) dos valores constantes na tabela 3.1, o chamado ‘gatilho’, pelo qual este trecho da rodovia já deveria estar todo duplicado desde 2019.

Com cerca de 500 mil veículos pagando pedágio por mês na praça de Serra, 380 mil na de Itapemirim, 360 mil na de Guarapari e 300 mil na de Aracruz, correspondendo a mais de 10 mil por dia, a Concessionária ECO101 continua se apegando à não liberação, pelo Ibama (outra novela inexplicável), do licenciamento ambiental para as obras no Trecho Norte

As obras de duplicação são condicionadas ao volume de tráfego nos trechos de pistas simples. O fator determinante para a duplicação da pista é o ‘gatilho’, ou seja, além dos prazos máximos para a execução das obras, a Eco101 deverá antecipar as datas das obras relativas às duplicações desses trechos com mais de 10 mil veículos diários. E segundo os deputados estaduais da Comissão de Fiscalização na Assembleia, esse volume já foi atingido nos últimos anos.

Segundo os parâmetros de acompanhamento de tráfego expressos no capítulo 4 do contrato, uma vez atingido o ‘gatilho’ em qualquer um dos subtrechos especificados, a Concessionária terá um prazo de um ano para a conclusão dos investimentos de duplicação do respectivo subtrecho. Os dados nos boletins de tráfego divulgados mensalmente no site da Eco101 permanecem os mesmos desde o início da cobrança da tarifa, em 18 de maio de 2014 (quase sete anos).

Pelo ‘gatilho contratual’, também já deveria estar duplicado em 2019 o trecho de Serra a Guarapari. O prazo de 10 anos, sem o ‘gatilho’, é para o trecho da divisa com a Bahia até João Neiva. Das sete praças, de acordo com a ECO101, somente as de São Mateus (7.943) e Mimoso do Sul (8.281), não atingiram o ‘gatilho’ de 10 mil veículos diários pagando pedágio.

Eco101 informa que o tráfego pago permanece o mesmo há sete anos

Em dados sempre imutáveis divulgados em seu site, os boletins de tráfego pago na BR-101 permanecem inalterados desde 18 de maio de 2014, totalizando cerca de 70 mil veículos por dia nas sete praças, até o último dia 31 de março (6 anos e 10 meses).

Neste período de quase sete anos, 174.310.615 veículos diversos pagaram pedágio nas sete praças da rodovia BR-101 no Estado, incluindo os que se utilizam do sistema Sem Parar. Os dados divulgados no site da Concessionária ECO101 não se alteram, ano a ano. Nos 2.567 dias de cobrança, a média é de 67.904 veículos por dia, ou 2.829 por hora ou 47 por minuto.

Os números do tráfego pago variam muito pouco de um mês para o outro, desde o início da cobrança, em 18 de maio de 2014, dados que deixam dúvidas nos deputados estaduais e federais de que exista manipulação por parte da Eco101 para não duplicar trechos com alto índice de veículos, acionando o ‘gatilho’ previsto em contrato, que prevê a duplicação imediata de trechos com mais de 10 mil veículos por dia. A FOLHA DO LITORAL é o único jornal que divulga mês a mês as tabelas de estatísticas do tráfego pago na BR-101.

Apesar do tráfego diário de mais de 70 mil veículos pagantes por dia, somente 58,3 (12,2%) dos 475,9 quilômetros entre o trevo de acesso a Mucuri, no Sul da Bahia, e a divisa com o Rio de Janeiro, foram duplicados. Nos 6 anos e 10 meses de cobrança tarifária, somente 1,8 km foi duplicado em Anchieta, 2,2 km em João Neiva, 4,5 km em Ibiraçu, 7,8 km em Iconha (contorno) e 42 km de Viana a Guarapari.

TRÁFEGO PAGO POR PRAÇA – MARÇO 2021
Pedro Canário – 132.456 (4.415/dia)
São Mateus – 219.037 (7.301/dia)
Aracruz – 286.671 (9.555/dia)
Serra – 454.438 (15.148/dia)
Guarapari – 353.452 (11.782/dia)
Itapemirim – 356.874 (11.896/dia)
Mimoso do Sul – 214.037 (7.135/dia)

2.567 dias de cobrança (18/05/2014 a 31/03/2021)
2014 (18/05 a 31/12 – 227 dias): 16.684.170 – 7.350/dia
2015 (365 dias): 25.960.951 veículos – 71.126/dia
2016 (366 dias): 24.301.869 veículos – 66.399/dia
2017 (365 dias): 24.527.340 veículos – 67.198/dia
2018 (365 dias): 25.101.761 veículos – 68.772/dia
2019 (365 dias): 25.891.744 veículos – 70.936/dia
2020 (365 dias): 25.153.169 veículos – 68.913/dia
2021 (90 dias): 4.672.646 veículos – 79.197/dia

Total em 2.567 dias: 174.310.615 veículos
67.904 veículos por dia
2.829 veículos por hora
47 veículos por minuto

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