Dr. Joelson Pedro Celestino: missão cumprida na saúde de Aracruz e na vida!

Brincalhão, diz que optou pela Pediatria porque “CRIANÇA NÃO FALA MENTIRA”

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Natural de São José dos Calçados e formado pela Emescam em 1973, o médico Joelson Pedro Celestino é um dos pioneiros da Medicina em Aracruz, para onde veio na década de 70, dois anos antes de se formar, como acadêmico. Foto: Studio Casa

Brincalhão, extrovertido, bem humorado e sempre de bem com a vida, tanto com familiares como entre amigos e irmãos de Maçonaria, o médico pediatra Joelson Pedro Celestino – um dos pioneiros da Medicina em Aracruz – acaba de se aposentar, deixando um legado de vida e profissionalismo. Quando perguntado pela reportagem da revista Desejo por que optou pela pediatria, não titubeou em brincar: “foi porque criança não fala mentira”.

Dr. Joelson durante atendimento. Foto: Arquivo Pessoal

Natural de São José dos Calçados e formado pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam) em 1973, o médico Joelson Pedro Celestino é um dos pioneiros da Medicina em Aracruz, para onde veio na década de 70, dois anos antes de se formar, como acadêmico. No início de setembro deste ano de 2019, ele decidiu se aposentar. Clínico-geral, Médico do Trabalho e Pediatra, Dr. Joelson se recorda muito bem de como foi a década de 70 no município. Já trabalhando como médico, ele acompanhou toda a evolução da cidade e exerceu a profissão enquanto Aracruz passava por todas as mudanças de uma iminente industrialização. “Na época, a cidade tinha uma rua, uma igreja e muitas pedras em volta. As coisas tinham que ser resolvidas por aqui mesmo, porque ir a Vitória era um sacrifício. Estradas péssimas e quando chovia tornava-se impossível”, recorda.

Dr. Joelson lembra que ele e Dr. Sixto Nelson Quiñonez Diaz foram os primeiros a exercer a Medicina em Aracruz. Depois veio Dr. Cleveraldo Bermudes, que estudou com Joelson desde a infância, e também a Dra. Suely Oliveira, que se formou na turma de Joelson, com Cleveraldo. Sua vocação para a Medicina foi natural, pois se fosse acompanhar a família seria advogado, carreira seguida por três irmãos – José Roza, que foi desembargador, Jocyr e João Baptista – A opção por escolher Aracruz surgiu devido aos seus irmãos, José Roza e João Baptista, terem vindo trabalhar no município, e por isso ficou atraído.

A PROFISSÃO NA DÉCADA DE 70

Dr. Joelson relata que “exercer a profissão na Aracruz dos anos 70 era praticar a verdadeira Medicina. Com a chegada da Aracruz Florestal, em 1970, também começaram a vir os trabalhadores para operar a fábrica de celulose. Imagine 11 mil trabalhadores chegando ao município. Agora pense numa sobrecarga. Era desse jeito o trabalho de quem era médico naquela época. Trabalhávamos em quatro médicos para atender toda essa turma e ainda a população. Eu morava perto do Hospital São Camilo e às vezes passava semanas sem pisar dentro de casa, de tanto atendimento que precisava realizar. Contudo, ser médico naquele tempo nos proporcionava uma satisfação incrível em exercer a profissão. Quem entrava nesse ramo e vinha trabalhar numa cidade como Aracruz precisava ser médico ‘de verdade’. Eu digo isso no sentido de ter que atuar em todas as áreas, porque não existia esse negócio de especialidade, exclusividade. Quem se propunha a trabalhar como médico tinha que cuidar de criança, adulto, homem e mulher. Tinha que ser pediatra, ortopedista e cardiologista, precisava saber conduzir primeiros socorros e realizar cirurgias. Eram tempos difíceis em relação a recursos e a gente tinha de se virar, colocar a competência para falar mais alto, se quiséssemos tratar as pessoas”.

SAÚDE DE ARACRUZ ATUALMENTE

“Ao longo do tempo, a situação foi melhorando no município, a prefeitura passou a arrecadar mais, a área da Medicina foi evoluindo cada vez mais e a oferta de profissionais para o município, aliviou a sobrecarga. Eu me lembro da dificuldade que tínhamos em conseguir medicamentos, mesmo entrando na época das penicilinas. Hoje está tudo mais fácil, os tratamentos mais pontuais e toda essa evolução foi positiva para o aracruzense e também para nós, médicos”, conta Dr. Joelson.

AÇÕES SOCIAIS E POLÍTICAS

Responsável pela implantação da maioria dos postos de saúde em Aracruz, Dr. Joelson participou das capacitações da secretaria municipal de Saúde de 1988 a 1992, e da Unimed Piraqueaçu. Ex-secretário municipal de Saúde, ele conseguiu levar atendimento de qualidade a todos os distritos, e como presidente da Unimed Piraqueaçu participou de todos os eventos das comunidades organizadas, na época. Chegando em Aracruz dois anos antes de Dr. Sixto, ajudou a concretizar a Feira Distrital visando arrecadar recursos para o Hospital São Camilo.

“Médico dos médicos” é a qualificação que lhe deu Dr. Sixto, revelando que em caso de urgência era com o senhor que ele iria se consultar. “O Sixto foi meu colega e aprendi muito com ele. Minha história com o Hospital São Camilo começou na época de sua construção, por iniciativa do Monsenhor Guilherme Schmitz. No início era apenas uma sala de espera e um consultório. Depois que vieram os equipamentos trazidos pelo Monsenhor. Trabalhei lá por toda a minha vida profissional e acabo de me aposentar como médico do Trabalho na empresa Júlio Simões”, destaca.

POLÍTICA

“Tive incursões na política e me arrependi. Fui candidato a vice-prefeito de Eugênio Rampinelli e Jair Bortot, mas perdemos, e secretário municipal de Saúde nas gestões de Heraldo Musso e Ademar Devens. Vi que a política não era para mim e por isso nunca quis ser prefeito. Fui médico geral de muita gente em Aracruz. Os irmãos Edenildo e Édson Bragatto, Etore Cavallieri, Dr. Ademar Devens, Dr. Camilo e muitos outros”.

A esposa Benedita, companheira de uma vida inteira de Dr. Joelson, revela que “ele tem que ser eternizado em reportagens. Quando era criança em São José dos Calçados, ele tinha 5 anos de idade e já dizia que seria médico, mesmo sem saber o que era a profissão. Nos conhecemos adolescentes e ele já dizia que seria médico. Estudou desde o primeiro grau com Cleveraldo Bermudes e fizeram juntos o vestibular, sendo aprovados e vindo trabalhar em Aracruz, o Cleveraldo veio dois anos depois”.

Leandro Celestino, filho e médico (os outros filhos são Leonardo e Luciana), destaca que “Joelson, Sixto, Sueli e Cleveraldo eram muito unidos como amigos e no desejo de serem médicos. Fazem parte da história da Medicina em Aracruz, e com o crescimento da cidade, pouca gente conhece a história desses quatro profissionais, atuantes na profissão e na gestão da Unimed Piraqueaçu, hospital e clínicas”.

Dr. Joelson Celestino, um dos primeiros presidentes da Unimed Piraqueaçu, homenageado na festa de 25 anos da cooperativa. Foto: Studio Casa

DEPOIMENTOS
“Dr. Joelson é um baluarte da Medicina em Aracruz. Representante digno da saúde no município, ele veio exercer carreira aqui a meu convite. E veio na hora que a cidade mais precisava; uma época de muita carência em que a destruição e as doenças infecciosas desolavam nossa comunidade, afetando principalmente as crianças. Profissional amoroso, dedicado e, acima de tudo, solidário, Dr. Joelson salvou muitas vidas. Que felicidade a minha ter testemunhado o grande trabalho desse querido amigo, que merece todo reconhecimento e carinho do povo de Aracruz, com quem ele sempre fez questão de manter um relacionamento fraterno”.
Dr. Sixto Nelson Quiñonez Diaz, médico.

“Sem dúvida, Dr. Joelson é uma das principais personalidades da história da Unimed Piraqueaçu. Ele foi o presidente que colocou a nossa Unimed entre as 200 maiores empresas do Espírito Santo, sempre com uma gestão correta e austera, mas muito amorosa! Nos ensinou muito como estar sempre ao lado dos cooperados, dos colaboradores e servir a sociedade. Deixou um legado para todos aqueles que o sucederam e que futuramente estarão à frente de nossa cooperativa. Por tudo que fez e representa para esta cooperativa, nós o tratamos carinhosamente como Nosso Comandante!”.
Dr. Bruno Lameiras de Souza, médico.

“Falar de Dr. Joelson é falar de alegria, atenção e carinho aos que tiveram a honra de serem cuidados por essa pessoa de extrema competência quando o assunto era criança. Ainda lembro-me de ver ele grande em relação a mim na altura (risos). Lembro das vezes que fui atendido, até na porta da sua casa nos finais de semana, com a mesma paciência de sempre. Depois de alguns anos já como médico Pediatra, fui recebido por ele com extrema alegria, grande incentivo e coleguismo na Unimed PQ. Ele me falou: junte-se a nós na Unimed – na época em que era presidente. Agradeço muito a Deus por ter amigos como você, Dr. Joelson. Um grande abraço de seu paciente e colega”.
Dr. Camilo Giacomin, médico.

“Na década de 70, entre meus oito e 14 anos de idade, ia rotineiramente ao consultório médico de Dr. Joelson, que atendia várias especialidades em uma unidade sanitária situada na rua Alegria. Lembro que tive problemas de pele na época e ele foi o único médico que conseguiu resolver. Dr. Joelson sempre foi muito educado e atencioso. Fazia questão de realizar os exames com o máximo de detalhes possível; investigava a fundo o quadro clínico dos pacientes. Médico, mas acima de tudo um grande amigo das pessoas. Fica aqui o meu carinho e minha admiração a ele e sua extraordinária trajetória profissional”.
Edenildo Bragatto Nunes, empresário.

“Vindo do interior, Dr. Joelson tinha um sonho: ser médico. Naquela época, não havia curso científico em São José dos Calçados, onde ele residia. Descendente de uma família de agricultores, teve que se deslocar para Vitória a fim de realizar com sucesso e dignidade o seu grande sonho. Nos conhecemos nesta trajetória, pelo mesmo motivo. Eu residia em Aracruz, tinha o mesmo sonho de ser médico. Passamos por diversos cursos e estudamos muito, e finalmente, médicos, a opção tão desejada após tantos esforços, foi alcançada. Dr. Joelson tem uma trajetória de trabalhos de sucesso: PMA – secretário de Saúde e médico do IESP, atualmente aposentado; Júlio Simões – Médico do Trabalho; Unimed Piraqueaçu – fundador e presidente por dois mandatos; Hospital e Maternidade São Camilo (HMSC) – médico plantonista, atuando também como pediatra há 40 anos. Como éramos em poucos médicos, passávamos várias noites sem dormir e entrávamos na sala de cirurgia à noite, saindo somente de madrugada. Chegamos a atender a maioria das especialidades, pois na época não existia especialistas, que só após vários anos, começaram a chegar. Sempre trabalhamos em equipe, cada um era responsável por um plantão de 24h, no Pronto Socorro, incluindo também assistência à maternidade e quando necessário encaminhamento do paciente para o centro cirúrgico, para cirurgias de urgência. O comprometimento era com atendimento do ambulatório para consultas, pré-natal e outros de rotina. Queria ressaltar que tínhamos um organograma de todo o nosso trabalho executado. Algumas dificuldades na minha gestão na Superintendência do HMSC foram a perda do Título de Entidade Filantrópica e dívidas no INSS. Lembro que na época o deputado Marcus Vicente, muito solidário ao Hospital, conseguiu com muita luta a devolução do titulo e perdão da dívida. A solidariedade se estendeu, pois continua até a presente data um fiel colaborador do nosso Hospital. Dr. Joelson, temos um convívio familiar muito importante, pois nossos filhos são verdadeiros amigos. Agradeço a Deus por esses momentos tão importantes que aconteceram nas nossas vidas. Você é merecedor de todas as homenagens por merecimento e amor ao próximo. A amizade antiga e sincera nos envolveu a ponto de nos tornar quase verdadeiros irmãos. Seja feliz, meu amigo e irmão”.
Dr. Cleveraldo José Bermudes, médico.

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