Coronavírus: há motivo para pânico?

Em artigo, o médico infectologista Dr. Rodrigo Leal Silva faz um panorama do Covid-19, o novo coronavírus, e esclarece que não motivos para pânico, mas a população deve sim estar atenta aos acontecimentos de como a epidemia irá se comportar no Brasil e no mundo

0
118

Por Rodrigo Leal Silva

Os coronavírus são uma grande família viral, conhecidos desde meados dos anos 1960, que causam infecções respiratórias em seres humanos e em animais. Em 31 de dezembro de 2019 a Organização Mundial de Saúde (OMS) foi informada de um conjunto de casos de pneumonia de causa desconhecida detectados na cidade de Wuhan, província de Hubei, na China. Um novo coronavírus, síndrome respiratória aguda grave coronavírus (SARS-CoV-2) foi identificado como o vírus causador pelas autoridades chinesas em 7 de janeiro de 2020.

O espectro clínico da doença pelo coronavírus (Covid-19) é muito amplo, podendo variar de um simples resfriado até uma pneumonia severa. Segundo os dados mais atuais, os sinais e sintomas clínicos referidos são principalmente respiratórios. O paciente pode apresentar febre, tosse e dificuldade para respirar. Felizmente a grande maioria dos pacientes apresentam um quadro gripal leve, aproximadamente 14% apresentam algum sinal de gravidade e a letalidade tem ficado em torno de 3%, que pode ser considerada uma letalidade baixa frente a outras epidemias de virais já vivenciadas pela humanidade.

De forma geral, a transmissão do SARS-CoV-2 costuma ocorrer por gotículas eliminadas pela tosse, espirro ou fala ou ainda pelo contato pessoal com secreções contaminadas. As pessoas doentes permanecem infectantes em média 7 dias após o início dos sintomas.

Não há vacinas comercialmente disponíveis nem tratamento antiviral específico, a prevenção continua sendo o mais importante e as principais medidas são: lavar as mãos frequentemente com água e sabonete ou usar um desinfetante para as mãos à base de álcool; evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas; evitar contato próximo com pessoas gripadas ou resfriadas; ficar em casa quando estiver doente e, ao tossir ou espirrar, cobrir boca e nariz com um lenço de papel e jogá-lo logo em seguida no lixo.

Quem está sob risco de estar com covid-19?
Todos que viajaram para a China, Japão, Singapura, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Tailândia, Vietnã, Camboja, Itália, Alemanha, França, Austrália, Filipinas, Malásia, Irã e Emirados Árabes nos últimos 14 dias e apresentam febre, tosse ou dificuldade de respirar. Estes devem procurar atendimento médico imediatamente e informar detalhadamente o histórico de viagem recente e seus sintomas. Lembrando que a lista desses países considerados “de risco” vem se modificando ao longo das semanas de acordo com a descoberta de novos casos da doença.

Em 27/02/2020, haviam 82.564 casos confirmados em todo o mundo (casos já presentes em todos os continentes) com 2.811 óbitos reportados. Nesse mesmo dia existiam no Brasil: 01 caso confirmado (no estado de São Paulo), 132 casos suspeitos e outras 213 notificações ainda não avaliadas pelos técnicos do Ministério da Saúde.

Desde meados de janeiro/2020 o Brasil tem se estruturado de forma coordenada e organizada nas três esferas políticas para responder aos desafios da covid-19 de forma rápida e eficaz. Um dos grandes desafios ao combate da doença diz respeito a um mundo globalizado, com grande facilidade e rapidez de locomoção, inclusive entre continentes. Apesar disso, a resposta de enfrentamento à epidemia tem sido rápida e eficaz, com as vigilâncias epidemiológica e sanitária de todos os níveis de atenção detectando prontamente os casos suspeitos, buscando diagnóstico de forma oportuna e orientando permanência em domicílio de todos os casos suspeitos que não possuam sinais de doença mais grave.

Portanto, não há motivos para pânico, mas devemos sim estar atentos aos acontecimentos de como a epidemia irá se comportar no Brasil e no mundo. Certamente ainda surgirão no Brasil muitos casos suspeitos e muitos outros ainda se confirmarão, mas é importante lembrar que estamos diante de um novo vírus respiratório, que em ao menos 85% dos casos cursa com sintomas leves (semelhante a uma gripe comum) e cujas complicações e óbitos ocorrem, sobretudo, em idosos e portadores de doenças crônicas prévias.

Foto: Arquivo Pessoal

Rodrigo Leal Silva é médico infectologista, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

PUBLICIDADE