Como Aracruz, aniversariante deste sábado 3, nasceu

O município foi criado em 3 de abril de 1848, com o nome de Santa Cruz

0
29
Foto: Rogério Sarmenghi

A quatrocentona Santa Cruz é uma pequena localidade do município de Aracruz. Situada às margens do rio Piraquê-açu, é motivo de orgulho para seus habitantes, principalmente daqueles que herdaram de seus antecessores histórias de muitas gerações, que até hoje podemos sentir olhando seus casarões antigos, o velho cais do porto, a Fonte do Caju, a beira do rio, o movimento dos pescadores, o extenso manguezal, seu cheiro de mar…

Denominada Aldeia Nova, Santa Cruz foi fundada em 1556 pelo padre Brás Lourenço, auxiliado pelo também padre Diogo Jácome. Tudo começou com a chegada dos homens brancos naquelas terras habitadas somente pelos índios tupiniquins, chefiados pelo cacique Maracaiá-Guaçu, ou Grande Gato.

Eles chegaram em virtude do processo de catequização, fundando um núcleo de catequese que atraiu várias tribos de índios da região. Mais tarde, com a criação da Aldeia dos Reis Magos (atual Nova Almeida) o núcleo passou a denominar-se Aldeia Velha.

Segundo Levy Rocha em seu livro “De Vasco Coutinho aos Contemporâneos”, a aldeia teria sido apelidada pelos seus habitantes tupiniquins de Huuassu, ou rio Caudaloso e, segundo o autor, ao que parece, a Aldeia Nova foi o primeiro ponto da costa brasileira onde, em 26 de fevereiro de 1557, aportou o barco que trouxe o francês Jean de Lèry para servir a Villegaignon. O cacique Maracaiá-Guaçu chegou a se incorporar à expedição de Mem de Sá para a expulsão dos franceses da Guanabara (Rio de Janeiro).

Em 16 de dezembro de 1837 a Aldeia Velha tornou-se distrito. Uma lei provincial elevou o povoado a Freguesia, passando a fazer parte do termo de Nova Almeida. Em 1848, por Lei Provincial nº 2, a Freguesia foi elevada a Vila. O município foi criado em 3 de abril de 1848 com o nome de Santa Cruz.

Em 1860, Santa Cruz recebeu a visita do Imperador D. Pedro II, que pernoitou no lugar e até inaugurou o chafariz público. Para abrigar o imperador, foi construído o prédio onde depois funcionou a antiga Câmara Municipal (atual museu), hoje um dos dois únicos patrimônios do município de Aracruz tombado pelo Conselho Estadual de Cultura. Ao longo dos anos, o prédio passou por várias utilizações: Fórum, Prefeitura, serviços de estatística, cadeia, postos de correio e telefônico.

Sobre a visita de D. Pedro II, contam as pessoas do lugar (muitos chegaram a ver o objeto, lá pelos idos de 1964), que ele deixou de presente para Santa Cruz uma medalha com uma dedicatória sua e da Imperatriz D. Teresa Cristina Maria, que ficou muitos anos sob a guarda da igreja local. Anos depois, com receio de sua segurança, a medalha foi colocada sob a custódia do bispo Dom João Batista da Motta e Albuquerque. Também ficou como lembrança de sua visita um jogo de “pesos de quarta”.

Como surgiu o nome Aracruz

Em 1891, o município de Santa Cruz perdeu o território de Conde D’Eu (atual Ibiraçu). Em 1943, uma Resolução da Comarca Municipal transfere a sede para o povoado de Sauassu. A nova sede e o município recebem o nome de Aracruz. Assim, Santa Cruz perde o poder de sede de município, transferindo para Aracruz (sede) a atratividade do comércio, indústrias e serviços da região. Com isto, Santa Cruz mantém suas características de pequeno povoado, com a pracinha e a Igreja Matriz no centro.

PUBLICIDADE