Como a área da saúde está enfrentando a Covid-19 em Aracruz

A reportagem da FOLHA DO LITORAL buscou saber como o hospital, os dois pronto-atendimentos 24 horas e a UPA do município se prepararam para enfrentar a temida doença provocada pelo novo coronavírus

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A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Vila Rica e o Hospital São Camilo adotaram uma série de medidas de enfrentamento ao novo coronavírus. Fotos: Divulgação

A Prefeitura de Aracruz publicou na terça-feira 31, decreto (n° 37.829) que estabelece estado de calamidade pública no município – desde o último dia 16, a cidade estava em situação de emergência para o enfrentamento da pandemia decorrente do novo coronavírus, também chamado de Sars-Cov-2.

O primeiro caso do novo coronavírus em Aracruz foi confirmado na última quarta-feira 1°. A doença foi diagnosticada em uma mulher de 46 anos, moradora da sede do município. A transmissão foi comunitária, quando não é possível identificar a origem da infecção.

Diante da crise na área da saúde, a reportagem da FOLHA DO LITORAL buscou saber como o hospital, os dois pronto-atendimentos 24 horas e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município se prepararam para enfrentar a temida Covid-19.

Hospital São Camilo
Desde janeiro, o Hospital São Camilo, em Aracruz, tem realizado reuniões, elaboração de fluxos e protocolos, além de treinamentos com toda equipe (que seguem ocorrendo constantemente), para enfrentamento ao novo coronavírus. Uma das primeiras medidas foi a alteração do fluxo de chegada dos pacientes, tendo sido criada uma recepção exclusiva para atendimento àqueles que apresentem sintomas gripais. Com os esforços concentrados na pandemia de Covid-19, houve ainda a suspensão de cirurgias eletivas na instituição.

Hoje o São Camilo dispõe de 132 leitos, sendo 10 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para internação de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), além de pacientes particulares ou de convênios. Alguns desses leitos, que passaram por modificações conforme estratégia da Comissão de Enfrentamento à Covid-19 e da Comissão de Controle de Infecção, foram reservados para a eventual necessidade da internação de pacientes com suspeita ou confirmação da doença provocada pelo novo coronavírus.

Fala-se em eventual necessidade porque, no momento, um caso suspeito identificado no Hospital São Camilo que demande internação pelo SUS é referenciado para o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra. Já pacientes de convênios são referenciados conforme orientação de cada prestadora de saúde. Os testes são realizados nos pacientes que preenchem os critérios estabelecidos e são encaminhados ao Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen-ES).

Sobre o número de aparelhos respiradores, a administração do Hospital São Camilo informou que há arsenal de excedentes para eventual necessidade de utilização dos que já estão em funcionamento. Em relação aos equipamentos de proteção individual (EPIs), a instituição enfatizou ter se preparado com estoque. Ressaltou ainda que os EPIs estão sendo disponibilizados e utilizados por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, entre outros colaboradores, conforme as recomendações do Ministério da Saúde.

UPA e pronto-atendimentos 24 horas
Toda a rede de saúde de Aracruz foi readequada para o enfrentamento à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. De acordo com a secretária municipal de Saúde, Clenir Avanza, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Vila Rica possui rede de oxigênio e ar em todos os quatros. E por lá, o número de leitos já foi ampliado com a chegada de novos equipamentos. Os pronto-atendimentos de Barra do Riacho e Jacupemba, por sua vez, estão sendo adequados para que haja ampliação da oferta de leitos.

O maior problema, informou Clenir Avanza, é a falta de respiradores hospitalares. “Não há onde comprar e a rede possui apenas sete respiradores”, revelou a secretária de Saúde, acrescentando que “a secretaria preparou um plano de contingenciamento para atender aos possíveis casos mais graves de contaminação”, e destacou ainda que todos os procedimentos eletivos e exames de rotina foram suspensos. Já os profissionais de saúde foram realocados em atividades de treinamento e de preparação para o enfrentamento à Covid-19.

Quando procurar o serviço de saúde em tempos de isolamento social
De acordo com a Assessoria do Hospital São Camilo, quem apresentar sintomas de gripe deve ficar em casa por 14 dias e seguir as orientações do Ministério da Saúde para o isolamento domiciliar. O serviço de saúde deve ser procurado quando o paciente apresentar febre por mais de 48 horas (adulto temperatura >= 37.8ºC e crianças temperatura >= 37,5ºC) ou dificuldade de respirar.

Vacinação contra gripe
Apesar de não proteger contra o novo coronavírus, a vacina contra o vírus Influenza (causador da gripe) é importante para auxiliar na diferenciação dos diagnósticos, uma vez que os sintomas são parecidos. Em Aracruz, a primeira etapa da campanha nacional de vacinação contra a gripe continua em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Até o momento, cerca de 7,5 mil idosos e mais de mil profissionais da área da saúde já foram imunizados. Mas, a partir de ontem 02, as doses haviam acabado.

De acordo com a secretária municipal de Saúde, idosos vindos de fora do município para ficar em isolamento em suas casas de veraneio também foram imunizados contra a gripe. Com isso, o município atingiu 100% da meta de vacinação em pessoas com mais de 60 anos, mas aguarda idosos com residência fixa que ainda não procuraram uma UBS. Vale lembrar que quem tem mais de 70 anos pode solicitar (via um familiar que se dirija a UBS mais próxima) a visita de um técnico de enfermagem para receber a dose da vacina em casa.

Em relação aos profissionais da área de saúde, que junto aos maiores de 60 anos formam o público-alvo da primeira etapa da campanha, Aracruz alcançou até agora pouco mais de 52% da meta. Na segunda etapa, com início no próximo dia 16, serão imunizados professores e profissionais das forças de segurança e salvamento. Já na terceira fase, a partir de 09 de maio, será a vez de crianças de seis meses a menores de seis anos, adultos com 55 anos ou mais, doentes crônicos, grávidas, mães no pós-parto, população indígena e portadores de condições especiais se vacinarem contra a gripe.

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