Carro elétrico

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Não faz muito tempo uma grande montadora de veículos do Reino Unido decidiu ser inevitável a “revolução do carro elétrico”. Aderiu a este processo. Já fabrica, a cada ano, 35.000 veículos movidos exclusivamente por energia elétrica. Anunciou que dentro de poucos anos não mais fabricará veículos movidos a gasolina ou diesel.

Eis que alguém decidiu calcular o impacto deste processo para a economia do país. Concluiu-se que serão afetadas 2.500 empresas fornecedoras de peças, que empregam nada menos que 180.000 pessoas. Não haverá, registre-se, queda no número de empregos. Eles apenas serão transferidos para outros setores – e com vantagens para a economia. O problema é que demandarão qualificação distinta. Tradução: haverá, ainda que temporariamente, um problema social a ser enfrentado.

Recente estudo do Conselho de Inteligência dos Estados Unidos, a propósito, alertou para o fato de que nesta década, dadas as brutais transformações previstas pela introdução de novas tecnologias, problemas sociais localizados poderão resultar em aumento de desigualdade e em sociedades conflituosas.

A observação procede. Dada empresa de consultoria norte-americana previu que a década de 2020 a 2030 deverá ser uma das mais disruptivas (rompimento na ordem usual ou andamento normal de um processo da história). Apenas para que se tenha uma singela noção do quanto, ao seu final o mercado de automóveis terá sido reduzido em uns bons 80%. A queda nos custos de energia revolucionará a economia. As cidades passarão por um redesenho sensível.

Este poderá ser um processo excepcional. Abrir-se-á uma janela de oportunidades única – mas apenas para aqueles que estiverem preparados. E já se prenuncia escasso o tempo. Dois comportamentos têm sido adotados ao redor do mundo, diante da iminência de tantas mudanças.

O primeiro deles é sábio. Consiste no aprimoramento dos mecanismos de qualificação da força de trabalho. Em melhorias na infraestrutura oferecida à economia como um todo. No incentivo às empresas e pessoas que estejam se preparando ou aderindo a este processo de mudanças.

O segundo é medíocre. Consiste no recurso ao mundo das leis e da burocracia, buscando-se retardar o inevitável através de restrições ao novo e incentivos ao velho. Um caminho penoso de contraste com o mundo.

Qual tem sido, historicamente, o comportamento do Brasil?

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