BR-101: em sete anos só 32,3 quilômetros duplicados

Carlos Eduardo, diretor-superintendente da ECO101, alegou que o atraso se dá pela dificuldade em conseguir as licenças ambientais com os órgãos responsáveis

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Diretores da ECO101 confirmaram a paralisação das obras no Trecho Sul até março do ano que vem, justificando com o momento de pandemia e a redução de 20% no tráfego pago. Seis anos depois do início da cobrança de pedágio, a dupla admitiu que somente 32,3 km foram duplicados em toda a extensão de 475.9 km da rodovia. Foto: Divulgação

Representantes da empresa ECO101 Concessionária de Rodovias apresentaram na quarta-feira 03, para a Comissão Especial de Fiscalização da Concessão da BR-101, na Assembleia, os resultados dos trabalhos realizados desde 2013. De acordo com o diretor-superintendente, Carlos Eduardo Xisto, em sete anos foram investidos mais de R$ 100 milhões em obras, o que possibilitou a recuperação de 300 quilômetros de malha viária. No entanto, até o momento, a área que foi efetivamente duplicada pela empresa corresponde a um trecho de 32,3 km – podendo chegar a 47,2 até o final do ano.

Carlos Eduardo alegou que o atraso se dá pela dificuldade em conseguir as licenças ambientais com os órgãos responsáveis. Presidida pelo deputado Fabrício Gandini, a reunião contou também com a participação do diretor-presidente da ECO101, Alberto Luiz Lodi. Os representantes destacaram o que seria positivo da concessão: geração de mais de dois mil empregos (500 diretos e 1,5 mil indiretos), arrecadação de mais de R$ 48 milhões com impostos para o Estado, redução de 27,5% dos acidentes de trânsito e diminuição de 63% dos índices de óbito.

Entretanto, o deputado Alexandre Xambinho defendeu que num primeiro momento os números parecem encantadores, mas afirmou que na prática a população capixaba não usufrui dos benefícios apresentados e que os índices de acidentes ainda são elevados. “O que observamos são promessas. Dentro de seis anos era para termos 197 km de rodovia duplicados conforme o cronograma inicial. Mas menos de 7% foram realmente apresentados. Vemos os pedágios funcionando e o serviço não sendo executado. O trecho de Campinho até Serra Sede é o trecho mais violento do Brasil e, no entanto, a ECO101 não toma nenhuma providência. Parece que esse contrato de 25 anos é apenas para a empresa ganhar dinheiro no Espírito Santo”, ressaltou o vice-presidente do Colegiado.

Xambinho também questionou sobre uma possível paralisação do trecho que liga Guarapari a Anchieta com a demissão de cerca de 350 funcionários. Conforme Carlos Eduardo, os desligamentos contratuais ocorreram por conta da finalização de algumas obras e que não teve paralisação no trecho.

O deputado Marcos também reclamou sobre o atraso nas obras, em especial no trecho Norte. “São 272 km de obras paralisadas no Norte do Estado. Sete anos que a região está sofrendo com a falta de duplicação. Estamos pagando o mesmo valor de pedágio do Sul do Estado, que já foi altamente beneficiado com boa parte das rodovias duplicadas”, reclamou Garcia, acrescentando que “o licenciamento ambiental até hoje não foi liberado pelo Ibama, que prometeu fracionar o trecho no início de 2020, e nada. São 90% de trechos sem florestas. Linhares precisa de readequação dos trevos, que provocam muitos acidentes”.

O superintendente da Concessionária ressaltou que o principal obstáculo para o andamento das obras no Norte está na proteção da Reserva Biológica de Sooretama e na dificuldade de liberação das licenças por parte do Ibama. Por se tratar de uma área natural de Mata Atlântica, a localidade é protegida por legislação específica, o que inviabiliza a retirada dos cerca de 20 metros de cada lado da rodovia, nos 23 km de abrangência, junto com a reserva florestal da Vale.

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