BR-101 – a rodovia do medo

Somente neste ano já morreram 105 pessoas em 2.167 acidentes nas rodovias federais no Espírito Santo, 90% deles na BR-101

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Na última segunda-feira 23, um homem morreu depois que o carro onde ele estava sozinho colidiu com uma carreta na altura do km 249 da BR-101, no município da Serra. Foto: Divulgação

Até quando a demora na duplicação, Concesssionária Eco101? Imprudência nas ultrapassagens, tráfego intenso e condições precárias de infraestrutura em uma rodovia com o traçado pouco alterado desde 1970, quando o asfalto foi inaugurado, fazem da BR-101 a estrada do medo, onde a morte aguarda em cada curva e em cada lombada. Somente neste ano já morreram 105 pessoas em 2.167 acidentes nas rodovias federais no Espírito Santo, 90% deles na BR-101.

Nesses acidentes, cerca de 2,5 mil pessoas saíram feridas. O inspetor da Polícia Rodoviária Federa (PRF), Valdo Lemos, disse que os números assustam e preocupam. É muita imprudência em alta velocidade, irresponsabilidade em ultrapassagens indevidas, desrespeito às sinalizações e falta de atenção dos motoristas, resultando em acidentes quase todos os dias.

Segundo o inspetor Lemos, uma situação que poderia diminuir o número de acidentes seria a duplicação da pista, já que a BR-101 é a única rodovia federal privatizada no Espírito Santo e que passa por este tipo de obra. Pelo cronograma da concessão, os 475,9 km deveriam ser duplicados integralmente até 2038, sendo que nos 10 primeiros anos, até o fim de 2023, 90% das pistas deveriam estar duplicadas.

Mas, que se observa hoje é que somente 9 km receberam a duplicação, com a Eco101 argumentando que a falta de fracionamento do licenciamento ambiental, pelo Ibama, impede o início das obras no Trecho Norte. Nos quase sete anos de cobrança de pedágio, cerca de 160 milhões de veículos já pagaram a tarifa.

Para o inspetor Valdo, “investimento em infraestrutura, em relação à duplicação de pistas e instalação de obstáculos físicos (defensas metálicas, muretas ou canteiros) ajuda a evitar ultrapassagens em locais proibidos, como ocorreu na segunda-feira 23 na Serra, com uma morte”.

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