Assembleia debate medidas para a proteção das abelhas

Especialistas apontaram caminhos para preservar colmeias, sem prejudicar o desenvolvimento do setor agrícola, responsável pelo uso de agrotóxicos em larga escala

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Foto Ilustrativa: Divulgação

Por Larissa Lacerda

Essenciais para o meio ambiente e também para a Agricultura, as abelhas vêm sendo ameaçadas pelo uso indiscriminado de agrotóxicos. A questão foi debatida durante audiência pública virtual da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa. O engenheiro agrônomo Edegar Formentini e o presidente da Associação de Meliponicultores do Espírito Santo, João Luiz Teixeira Santos, participaram do evento.

João Luiz ressaltou a importância da apicultura para a produção de alimentos e para a manutenção do ecossistema: “A abelha tem o poder de gerar vida. Seu papel vai muito além do mel, ela poliniza e garante a existência das plantas, dos animais e dos seres humanos. Para agricultura é fundamental, as abelhas polinizam 70% das produções agrícolas, e ajudam na qualidade e quantidade do fruto”, apontou.

O objetivo da audiência pública foi encontrar soluções que possam convergir no equilíbrio entre a proteção das abelhas e a manutenção de atividades agrícolas que dependem de agrotóxicos, como a cultura do café. Os especialistas falaram sobre a necessidade de garantir uma distância ideal entre apiários e áreas em que são usados agrotóxicos de modo a não matar as colônias.

No Espírito Santo, existem 39 tipos de abelhas que têm alcance de voo que varia entre 500 e 2.500 metros. “O ideal seria uma distância de mais de dois quilômetros, mas sabemos que várias propriedades seriam englobadas e as barreiras para conseguir são muitas. Um consenso pode ocorrer. Uma distância de mil metros, por exemplo, não resolve, mas já ajudaria”, declarou João Luiz.

Substâncias nocivas

Dados levantados mostram que no Espírito Santo são utilizados, em média, 10 milhões de quilos de agrotóxicos anualmente. Pesquisas acadêmicas comprovaram que os agrotóxicos com princípios ativos como Imidaclopiro e Tiametoxan, entre outros, são extremamente letais às abelhas. Essas substâncias são usadas no plantio de várias culturas no Espírito Santo, como tomate, pepino e principalmente café.

Formentini apontou três medidas que poderiam auxiliar na preservação das colmeias: proibição do uso de agrotóxico no período de floração da cultura; normatização do controle de derivas (resto de agrotóxicos espalhados pelo vento) nas pulverizações; e normatização das formas de aplicação dos produtos altamente prejudiciais às abelhas.

A proponente da audiência pública, deputada Iriny Lopes, apresentou o Projeto de Lei (PL) 686/2019, que proíbe a utilização de agrotóxicos, fungicidas e inseticidas em locais próximos a áreas de apicultura e meliponicultura. O intuito da audiência pública foi colher informações para aprimorar o projeto e encontrar consenso entre representantes do agronegócio e dos apicultores.

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