Aracruz anuncia uso de hidroxicloroquina no tratamento da covid-19

Vinte pacientes internados com covid-19 se submeteram ao tratamento com a substância. O Comitê Sanitário local estruturou uma central para monitorá-los e diz que os resultados foram positivos

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Foto: Divulgação

Apesar da Organização Mundial de Saúde (OMS) suspender os ensaios clínicos com hidroxicloroquina contra a covid-19, a Prefeitura de Aracruz resolveu incluir a substância no protocolo para o tratamento de pacientes infectados pela doença que já causou 22 mortes no município. O anúncio à imprensa foi feito nesta sexta-feira (19) pelo prefeito Jones Cavaglieri e outros membros do Comitê Sanitário local.

Há cerca de 30 dias, mesmo sem pesquisas concluídas sobre a eficiência da hidroxicloroquina, 20 pacientes internados com covid-19 se submeteram ao tratamento com a substância suspensa em testes da OMS. O Comitê Sanitário estruturou uma central para monitorá-los e diz que os resultados foram positivos, não tendo os pacientes (no momento, em isolamento domiciliar) retornado ao leito hospitalar.

A administração municipal lembra, no entanto, que o uso da hidroxicloroquina só é autorizado para pacientes quando houver prescrição do médico. Os pacientes precisam realizar uma anamnese, um exame físico, com encaminhamento de uma ficha de notificação e de seus dados para a central de monitoramento criada pela prefeitura. Mediante a avaliação médica e o consentimento do paciente, o termo de consentimento livre deverá ser preenchido e devidamente esclarecido sobre o uso do protocolo, sendo que ainda não há comprovação científica dessas medicações para a eficácia no tratamento da covid-19.

De acordo com a secretária municipal de Saúde, Clenir Avanza, um dos fatores que mais colaborou para que o município criasse o protocolo que possibilita o uso ou não de azitromicina, corticoterapia, hidroxicloroquina, ivermectina ou zinco foi a alta porcentagem de óbitos após as pessoas serem entubadas, em torno de 35%. A OMS, no entanto, diz que as evidências dos ensaios sugerem que a hidroxicloroquina, quando comparada com o padrão de tratamento em pacientes hospitalizados, não reduz a mortalidade.

“Percebemos que precisaríamos fazer um tratamento preventivo, assistencial e ambulatorial, assistido pelo corpo médico do Hospital São Camilo, adotando os medicamentos. Nós também reafirmamos que ainda não há evidências científicas que comprovem a eficácia do remédio, mesmo porque o vírus ainda não foi devidamente estudado. Do mesmo modo, também não existe nenhuma vacina ou remédio, por isso devemos fazer uma prevenção”, ressaltou Avanza.

Superintendente do Hospital São Camilo, Dr. Eduardo Soares falou sobre a participação da instituição na elaboração do protocolo. “É muito ruim recebermos um paciente com uma gravidade maior, sabendo que pouco poderemos fazer, sendo que o tratamento dessa doença ainda está em fase experimental. Partindo do princípio de que ainda não temos medicações com embasamentos científicos e com evidências e estudos randomizados, continuaríamos assistindo o que vem acontecendo diariamente, por isso, nos posicionamos ativamente para tentar fazer algo a mais para nossos pacientes, para que eles não cheguem ao hospital já em gravidade”, enfatizou o médico.

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