Aqui também?

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Há algum tempo li no sério informativo “All Africa” uma grave matéria sobre os dejetos que a indústria da tecnologia produz. Segundo consta, “a cada ano a indústria de eletrônicos gera em torno de 41 milhões de toneladas de lixo eletrônico”. Observou-se, porém, que “dado o aumento do número de consumidores e a redução da vida útil dos aparelhos a marca de 50 milhões de toneladas já está sendo ultrapassada”. Mencionou-se, como exemplo, que “a vida útil dos computadores caiu de seis anos em 1997 para apenas dois em 2005”.

Esta reportagem foi coroada com uma declaração do Dr. Christian Nellemann, ativista e autoridade mundial no tema: “É proibido exportar lixo eletrônico, porém imensas redes de contrabando o classificam como objetos usados para em seguida despejá-los em lugares como Gana, Índia, Paquistão e Brasil”.

Como assim? Aqui também? Decidi buscar mais informações sobre o tema. E deparei-me com chocante matéria da “Folha”: “Em 2006 o Brasil foi parte do lixão high tech da Califórnia: 1.190 toneladas de lixo eletrônico foram enviadas do Estado norte-americano ao Brasil naquele ano. O lixo eletrônico é considerado perigoso, pois possui em sua composição substâncias tóxicas como mercúrio e chumbo”.

Encontrei, em seguida, grave reportagem do jornal “O Globo”: “No Brasil, a importação de resíduos sólidos perigosos foi proibida definitivamente em 2010. Ainda assim, tenta-se burlar a lei. Nos últimos cinco anos, o Ibama interceptou cerca de 500 toneladas de resíduos eletrônicos entrando no país ilegalmente por portos e fronteiras, e as cargas foram devolvidas à origem – como em 2013, quando 353 toneladas de resíduos de televisores foram barradas no Porto de Navegantes (SC)”. Temo que estas apreensões sejam mera gota d’água no oceano.

Prossegui, enfim, em minha pesquisa. Descobri, então, que os países em desenvolvimento – o nosso incluído – recebem nada menos que 80% do lixo eletrônico das nações ricas. No caso dos EUA, apenas 10% destes dejetos receberiam tratamento adequado.

Pois é. Os brasileiros, frequentemente humilhados pelas arrogantes ameaças de governos outros no que toca ao nosso ambiente, deveriam saber com clareza quais países nos transformam em ‘lata de lixo’. Afinal, como pregava Lucas, “acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”.

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