Ansiedade: você não está sozinho!

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Por Sandra Freitas

Quando era adolescente, passei por uma faze complicada. Uma vez desmaiei na escola e passei a ficar com medo de me sentir mal na rua. Esse medo começou a me limitar. Deixei de fazer muitas coisas por causa desse pensamento que me dominava: e se eu passar mal? Certo dia estava indo pegar o ônibus para a faculdade. Morava em Vila Velha e para chegar à UFES demorava cerca de uma hora. Na época não havia a Terceira Ponte que liga Vitória a Vila velha. No caminho até o ponto, comecei a pensar: e se eu passar mal no ônibus, como vai ser? O medo gerou ansiedade, o coração acelerou, a mão suou frio, a respiração ficou ofegante e eu voltei pra casa me sentindo fracassada e dominada. O medo de passar mal me fez passar mal de verdade.

Naquele dia percebi que precisava de ajuda profissional. E ao longo dos anos crises de ansiedade me acompanharam em certos períodos da minha vida. A última foi há três anos. Meu pai estava na UTI, precisou ser entubado. Foi um mês enfrentando a dura realidade da vida naquele hospital. No dia do meu aniversário cheguei do hospital e na hora do almoço comecei a sentir sensação de desmaio, suor frio, coração acelerado, aperto no peito… Fui para o hospital. A bateria de exames mostrou que estava tudo normal. Mais uma crise de ansiedade que me fez passar meu aniversário no hospital. Fiz terapia, tomei remédios, busquei o autoconhecimento e técnicas de relaxamento. Não sei se estou curada, mas hoje sei que a crise passa. “Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta, e o coração tranquilo”, já dizia a letra dessa música cantada por Leila Pinheiro. A música é linda, mas infelizmente não é tão simples assim.

A ansiedade é considerada como o mal do século. Gravamos um programa de TV inteiro sobre esse assunto. Se você não assistiu na Record News ES ou na TV Sim, procure no canal do YouTube: ‘Vamos Juntas com Sandra Freitas’. Dados da Organização Mundial de Saúde revelam que o Brasil é o país mais ansioso do mundo. Quase 10% da população convive com transtornos de ansiedade. A maioria mulheres.

Entenda que você não está sozinho. Compartilhe com seus amigos. Conversar e ouvir outras experiências alivia o coração. Procure um profissional, e se for necessário tome remédio. Não tenha preconceito. Existem médicos para as doenças do corpo e psiquiatras para as doenças emocionais. Não deixe a ansiedade roubar sua paz e te enfraquecer. Procure ajuda.

Hoje posso dizer que minhas crises de ansiedade também tiveram um lado positivo. É isso mesmo! Elas me fizeram crescer. Ao longo da vida as crises me levaram ao deserto. Aprendi que a próxima fase da nossa vida é sempre impulsionada por desertos. Não existe biblicamente falando amadurecimento, descoberta de propósito, desenvolvimento financeiro, emocional e familiar sem passar pelo deserto. O que separa a lagarta da borboleta é o casulo. É apertado, é solitário, é escuro. Mas o casulo é obrigatório pra quem quer voar. Até Jesus passou pelo deserto. Quando a crise vier, tente enxerga-la como processo e não como sofrimento. Reclame menos e aprenda mais. Assim você sairá mais forte. E para aquela ansiedade diária, que não te paralisa, mas te deixa agitado, preocupado, correndo de um lado para o outro, quero te lembrar de um versículo que está na parede do meu quarto: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças”. E a paz de Deus que excede a todo entendimento guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus. (Fil. 4: 6-7)

A autora é jornalista e apresentadora de TV.

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